XTRA-Files: Os primeiros passos de Tiago Pires nas ondas grandes (VÍDEO)

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Saca dropa uma verdadeira bomba. Foto: Red Bull/GO-S.TV

 

Tiago Pires retirou-se das competições internacionais, mas o surf não lhe sai da vida. Um ano após o lançamento do filme sobre o primeiro surfista português a entrar no World Tour, A Red Bull lança agora um projeto que visa rever alguns dos momentos mais importantes do filme e também da enorme carreira de Saca.

 

Neste primeiro de três episódios de XTRA-Files, revisitamos a primeira aventura de Saca pelas ondas grandes, quando há muito tempo se tornou, juntamente com José Gregório e Paulo do Bairro, pioneiro das sessões de tow-in na agora mundialmente famosa Praia do Norte, na Nazaré. Em baixo segue ainda uma pequena entrevista da Red Bull com o surfista português.

 

Podes falar acerca da tua retirada do tour? Foi uma decisão complicada para ti ou já te sentias preparado para dar esse passo?

 

Foi um momento muito emocional, com certeza. Quando paras de fazer algo que amas e que já fazias desde os 16 anos de idade de forma profissional, torna-se difícil ver a luz ao fundo do túnel a apagar-se. Um dos principais factores que me levaram a tomar e aceitar melhor esta decisão foi o nascimento do meu filho. Sempre quis ser pai, mas, enquanto competia não conseguia ver isso a acontecer em simultâneo porque tinha pouco tempo para dar atenção aos outros. De certo modo, era uma pessoa muito focada em mim mesmo e apenas pensava na minha carreira.

 

Para além de teres trabalhado neste filme, o que tens feito desde que te retiraste?

 

É engraçado. Penso que, neste momento, estou mais ocupado do que antigamente. Nunca quis ser um pai ausente, portanto, agora que tenho o meu homenzinho, não quero perder nada. Quero estar próximo e ser o mais influente possível. Cresci com pais divorciados e nunca consegui estar com o meu pai tantas vezes quanto eu queria. Quando ele faleceu, em 2005, isso tornou-se ainda mais rude, portanto penso que é importante para mim mudar essa parte da minha história e passar o maior tempo possível com a minha família.

 

Em termos de carreira, decidi começar a fazer a gestão da carreira do Vasco Ribeiro. Além disso, mantenho-me como uma figura importante da modalidade em Portugal e isso também traz algumas responsabilidades e exigências. Ainda quero fazer algumas viagens e videoclips que não conseguia fazer quando era competidor. No entanto adoro ver-me como um super agente desportivo nos próximos anos.

 

Finalmente, tenho também mais um projeto em crescimento, que consiste na distribuição da nova marca de soft boards do Mick Fanning, a MF Softboards. Sempre tive uma excelente relação com o Mick e, quando ele me apresentou o projeto, adorei a ideia e vi imenso potencial. Portanto abordei-o e depois tudo se deu pelo melhor.

 

O Surf tornou-te uma celebridade em Portugal. Qual era a sensação de teres todos os holofotes apontados para ti em cada onda surfada e qual a melhor coisa de seres o melhor surfista português durante tanto tempo?

 

Acho que nunca pensei nisso realmente. Para mim, eu era mais um desportista a tentar sempre fazer o meu melhor. Tive de percorrer um longo caminho para chegar onde cheguei e, quando chegas a esse patamar, nada fica mais fácil. Portanto, acho que todo o meu foco foi sobre a minha carreira e a minha performance. Fui sempre uma pessoa envergonhada e nunca gostei de ser o centro das atenções, portanto acho que isso ajudou-me a voar debaixo do radar.



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