À conversa com Richie Campbell
Domingo, 20 Novembro 2011 23:12
RIchie Campbell tem nos concerto ao vivo uma das suas mais-valias. Foto: Divulgação
Richie Campbell é o nome artístico adoptado pelo maior cantor de reggae português da actualidade. Richie provém do seu nome próprio Ricardo e Campbell numa homenagem a dois dos seus artistas preferidos: Turbulence (Sheldon Campbell) e Admiral T (Chrissy Campbell). Apesar de muito jovem Richie apresenta já um longo e invejável currículo, onde se contam colaborações com Kymani Marley e a abertura do concerto de Nas & Damien Marley no Pavilhão Atlântico. A propósito do seu próximo grande concerto, com o italiano Alborosie no dia 30 de Novembro no Campo Pequeno em Lisboa, a SP esteve à conversa com o jovem prodígio da música reggae portuguesa.
SURFPortugal - De onde surgiu a vontade de cantares este tipo de música?
Richie Campbell - Acho que veio sobretudo dos meus pais. O reggae e o soul foi sempre o que se ouviu em minha casa e o que eu ouvia com os meus pais. E como eu sempre cantei, foi natural para mim cantar este tipo de música.
SP - Em que géneros musicais te encaixas? Porque a tua música vai oscilando entre o reggae, soul..
RC - O meu primeiro álbum, como reuniu trabalhos que fiz durante três anos, juntava mesmo um pouco de tudo, era mais variado. O meu novo álbum, no qual ainda estou a trabalhar, é certamente mais reggae e soul, talvez com um pouco de hip hop.
SP- Com quem é que estás a trabalhar neste álbum?
RC - Os produtores do meu segundo álbum são o Giuseppe Coppola (baterista do Gentleman), o Lil'Boy Fresh (produtor do Anthony B) e o Jason Farmer (teclista do Kimani Marley).
SP - Quem são as tuas influências musicais?
RC - As minhas influências são várias e vêm um pouco de todo o tipo de música que oiço, desde o Marvin Gaye e o Ottis Redding no soul, ao Bob Marley, claro, no reggae. Mas também me identifico muito com o Gentleman e com o tipo de sonoridade que ele faz, para além de ter sido ele o primeiro branco a ser respeitado enquanto artista reggae. Já houve vários artistas brancos a fazer reggae mas eram apenas incursões, não eram definitivamente cantores de reggae. O Gentleman foi o primeiro branco que foi à Jamaica e que o som que lá mostrou não tinha variações, era mesmo som jamaicano, como se fosse de um não branco. Sendo eu também “não-branco”, não posso deixar de me identificar com ele e ser influenciado pela forma como ele fez a sua carreira. E sobretudo é uma honra já ter tido a oportunidade de estar com ele, receber algumas críticas à minha música da sua parte e até algumas dicas que me deu relativamente à gestão da minha carreira enquanto artista reggae. Mas também fui influenciado pelo Garnet Silk, Dennins Brown e de nomes mais recentes, Sizzla, Anthony B e Tarrus Riley.
SP - Tu gravaste com Kimani Marley, filho do Bob Marley, o que representa isso para ti? O que tiraste dessa experiência? Quão importante foi para ti?
RC - Mais do que a experiência de gravar e de ter o nome Marley no meu
álbum, é o facto de ter tido um bom feedback dele, o que dá todo um novo sentido e valor ao meu trabalho. Ele não é um artista fácil de trabalhar ou manter contacto mas mesmo assim falamos de vez em quando e a forma como ele influenciou o meu trabalho e me deu certas dicas, foi muito importante. O facto de ter trabalhado com um príncipe do reagge, porque é o que os Marley são, a realeza do reagge, é uma honra e permitiu-me também fazer vários contactos que me vão ajudar na carreira e na promoção do novo álbum nos EUA, por exemplo.
SP - Foste tu também quem abriu para Nas e Damien Marley, como foi essa experiência?
RC - Desde que trabalhei com o Kimani que um dos meus objectivos era trabalha com o Damien porque de todos os filhos do Bob Marley, é ele aquele com quem me identifico mais. E obviamente que foi uma honra trabalhar com o Damien e com o Nas, ainda por cima foram os dois que fizeram um dos álbuns que mais me influenciou, e este meu novo álbum vai ter muitas influências desse álbum. Foi espectacular.
SP - Andaste em Tour por países que são conhecidos por terem públicos mais frios na assistência como a Polónia e República Checa. Como é apresentar um ritmo musical tão quente a esse tipo de público? E como foi a recepção?
RC - Há países e países! (risos) “ nos países mais “frios” notas umas diferença gigante. Eu toco ao vivo desde que tenho 15, 16 anos e uma das coisas que sempre me interessou bastante foi o lidar com cada público e nós tivemos situações..imagina, na Polónia que foi um dos sítios onde tocámos, há aquele momento do “o que é que estamos a ver” e é engraçado pois seja aí ou na República Checa, onde tocámos num festival que não era propriamente de reggae, ou na Bélgica, as pessoas podem demorar um bocadinho mas acabaram sempre por se divertir nos concertos e por gostar e dar-nos os parabéns, mesmo gente que nós não conhecíamos.
SP - Achas que esse é um dos desafios que a músicas reggae enfrenta, ou seja, entrar em mercados e públicos que à partida não seriam receptivos a esse tipo de música?
RC - Eu acho que sim e acho que também é por isso que o reggae está a mudar muito e vês muitos artistas de reggae já a fundir o género com outros estilos mais comerciáveis e eu não acho isso negativo, acho que é uma maneira fundamental de tu mostrares o reagge a uma pessoa sem chocar e se ela gostar depois vai pesquisar mais, vai ver mais fundo e chegar à raiz do reggae. É um desafio do reggae mas acho que é uma coisa muito positiva e não sou de todo um defensor de que o reggae pertence a X pessoas, acho que o reagge, até pelo seu próprio bem, é uma coisa que também se deve tentar comercializar o máximo possível.
SP - O que te reserva o futuro? Que projectos tens programados?
RC - Estou a fazer este disco agora, em princípio vamos à Jamaica tentar trabalhar na promoção, vamos também andar pela Europa e nos Eua a tratar da promoção. O disco sairá no início do próximo ano, ainda não temos data de lançamento mas queríamos lançar entre favereiro, março e abril. Estamos a tentar este novo álbum para o panorama internacional e conseguirmos fazer um Tour pelos países da Europa, sozinhos, como headliner e sem estar a abrir para outro artistas e continuar a dar concertos cá e também, consoante o sucesso que tivermos no nosso projecto, tentar algumas iniciativas cá para fazer com que o reggae em Portual cresça, procurar outros artistas, apoiar outros artistas e bandas.
SP - O que esperas do concerto no Campo Pequeno com o Alborosie no dia 30 de Novembro no Campo Pequeno?
RC . Bom, é a primeira vez em Portugal que existe um concerto de reggae com um artista nacional e internacional a serem publicitados no mesmo patamar, com o mesmo tipo de concerto e nós queremos sem dúvida nenhuma dar o melhor concerto possível e esperamos cimentar a ideia de que se está a criar de que conseguimos fazer tão bom reggae como lá fora. Estou à espera de um óptimo concerto, estou à espera daquilo cheio e com óptimo ambiente.

| < Anterior |
|---|








Comentários
viva ao "reggae tuga"