Marco Giorgi: "Se não fosse o tubo 3/4 dos surfistas de hoje-em-dia não existiriam"

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Tube rider uruguaio está bem habituado às bombas. Foto: WSL


Compete com as cores do Uruguaio e chega à Nazaré embalado por uma excelente prestação no Volcom Pipe Pro. Embora os mais distraídos possam não estar muito familiarizados com o seu surf, Marco Giorgi é um verdadeiro caçador de tubos, dividindo a sua carreira entre as competições e as viagens de free surf.

 

Apesar do ADN uruguaio, foi no Brasil que Giorgi completou a sua "formação" de surfista. Ele foi um dos surfistas internacionais selecionados para competir na edição de 2016 do Allianz Capítulo Perfeito powered by Billabong e promete dar que falar quando chegar a hora de dropar as bombas da Praia do Norte. Por agora, fiquem a conhecê-lo melhor.

 

SURFPortugal: O campeonato vai disputar-se num sítio identificado com o tow-in, mas acontece em tubos na remada. Que tipo de abordagem estás a fazer e que tipo de feedback tiveste para chegar a essas conclusões?

 

Marco Giorgi: Eu já sabia que a Nazaré dava altas ondas quando o mar está pequeno. Só ainda estou na dúvida sobre que tipo de prancha usar. Tenho falado com alguns amigos portugueses para chegar a uma conclusão sobre o material que vou usar.

 

SP: O facto de o campeonato ser num local tão mediático como a Nazaré teve impacto na aceitação do convite para o campeonato?

 

MG: Creio que vai dar boas ondas e bons tubos. O que melhor alguém pode pedir?

 

SP: Num tempo em que os aéreos full rotations são a vanguarda do surf, que lugar pensas que os tubos ainda ocupam no imaginário do surfista?

 

MG: Creio que se não existisse o tubo no surf 3/4 dos surfistas de hoje-em-dia não existiriam. O surfista sonha com tubos dia e noite, o tubo é o auge e a maior busca de qualquer surfista. O aéreo só é mais uma manobra que veio com a evolução do surf. O tubo sempre esteve ali pra ser surfado.

 

SP: Caracteriza os diversos tipos de tubo consoante o teu gosto pessoal?

 

MG: Gosto de tubo! Qualquer um, acho. Gosto da emoção do foamball e do drop crítico.

 

SP: Estás familiarizado com o atual momento do surf português? Como vês essa ascensão?

 

MG: Vejo muito apoio no surf português. Acho que outros países deveriam se inspirar no que vocês, como pais ascendente, estão fazendo. Gosto do jeito que vocês apoiam e incentivam seus surfistas locais também, valorizando a si próprios.

 

SP: Quais os surfistas portugueses com que estás mais familiarizado e qual pensas que pode ser a maior ameaça à vitória?

 

MG: Creio que o Nic Von Rupp. Já fiz umas viagens com ele e sei que ele é um dos melhores tube rides do Mundo. Vai ser difícil bater ele.

 

SP: Vens de Pipeline, onde conseguiste uma prestação de registo e chegaste às meias-finais. Pensas que isso pode ser uma vantagem para este campeonato, apesar de ser um spot completamente diferente?

 

MG: Sim, Pipeline me deu bastante confiança e creio que me botou nas atenções do Mundo. Acho que chamei a atenção de muita gente que não me conhecia. Isso me deixou feliz. Não é de hoje que estou pegando esses tubos, mas o fato de ser reconhecido foi muito gratificante.

 

SP: Muitas pessoas desconhecem que competes pelo Uruguai. Outras tantas desconhecem que passas grande parte da tua vida no Brasil. Explica-nos um pouco esta história da nacionalidade. O que te liga ao Uruguai e ao Brasil?

 

MG: Nasci no Uruguai. Cresci numa cidadezinha pequena que tem boas ondas nos seus dias certos. Meu pai é um dos primeiros surfistas do Uruguai e então eu já nasci dentro do surf. Meu irmão mais velho foi campeão nacional uruguaio algumas vezes enquanto crescíamos, enquanto eu ganhava categorias de base. Com 11 anos minha família resolveu se mudar para o Brasil por causa da crise de 99 na Argentina, que atingiu diretamente o Uruguai e o negócio do meu pai. Mesmo me mudando aos 11 anos para o Brasil, até aos 16 frequentei muito o Uruguai, correndo campeonatos e passando verões na minha cidade natal.

 

Porém, enquanto isso estava crescendo no Brasil e evoluindo minha carreira lá. Brasil me deu todas as oportunidades de surf da minha vida, sou muito grato por isso. Se meus pais não tivessem se mudado para o Brasil, eu jamais estaria onde estou por falta de oportunidades. Ao mesmo tempo no Brasil fui aceite por muitas pessoas que me ajudaram e me botaram para cima, meu patrocinador de até hoje foi um deles. Depois comecei a competir e conhecer a todo o mundo do surf brasileiro e sempre fui muito bem tratado e fiz amigos que levo até hoje. Então acho que não escondo nada: eu sou uruguaio mas cresci no Brasil. Vão-me ver com todo o mundo, amigo de todos os lados.



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