Surf no Parlamento - vídeo

Coxos_0_1O surf em geral e a Reserva Mundial de Surf da Ericeira em específico, foram alguns dos assuntos hoje debatidos na Assembleia da República.

Com o surf a ganhar cada vez mais dimensão social no nosso país, sendo actualmente um dos pilares do conceito da "Economia do Mar", é natural que o assunto chegue até ao local de discussão de assuntos políticos por excelência no nosso país, o Parlamento.

Foi o que aconteceu hoje, quinta-feira, pelas 15h. Hélder Sousa e Silva, deputado do PSD e ex-vereador da Câmara Municipal de Mafra, e Jorge Cardoso, presidente da Associação de Surf da Baía dos Coxos, estiveram no parlamento para explicar ao governo e governantes, através de uma Declaraão Política, o potencial da modalidade como elemento económico do nosso país.

Em baixo, poderás ver o vídeo das intervenções do deputado Helder Sousa e Silva e ainda mais abaixo, poderás ler a comunicação do mesmo.

Esta discussão pública é mais uma mostra do valor que o nosso desporto tem e, sobretudo, poderá vir a ter, se assim for incentivado.


" Declaração Política

A ECONOMIA DO MAR (Turismo Náutico - Surf)

Hélder Sousa Silva

Deputado do Grupo Parlamentar do PSD

___________________________________________________________________________________________


Senhora Presidente da Assembleia da Republica,

Senhoras e Senhores Deputados,


Faço esta declaração política, Hoje, evocando e congratulando a consagração da Primeira Reserva Mundial de Surf da Europa, que irá acontecer em Portugal, mais concretamente na Ericeira Ribeira D’Ilhas, Concelho de Mafra, no próximo dia 14 de Outubro.

Começo por saudar os dirigentes associativos e federativos ligados aos desportos náuticos, e em especial ao SURF aqui presentes.


O Turismo é, actualmente, a principal actividade exportadora nacional. Representando em 2010, 14% das exportações de bens e serviços e 43,3% das receitas de exportações de serviços.

No primeiro semestre de 2011, as receitas do sector totalizaram 3 .246 milhões de euros, um valor que traduz um crescimento de 8,8% face a igual período do ano transacto.

Num estudo recente, datado de 2009 e coordenado pelo Professor Ernâni Lopes, foi assumido que a economia do mar poderia ser, simultaneamente, uma força propulsora e um catalisador capaz de dinamizar um conjunto de sectores com elevado potencial de crescimento e capacidade para atrair investimento.

O Plano Estratégico Nacional do Turismo (PENT) caracteriza o Turismo Náutico como um dos 10 produtos estratégicos para Portugal. Neste âmbito, enquadram-se a Náutica de Recreio, e a Náutica Desportiva.

Quando comparados com outros produtos, como o Sol e Praia ou o Golf, verifica-se que o Turismo Náutico, está ainda mal estruturado e mal promovido.

Os desportos de ondas, com especial relevo para o surf são, indiscutivelmente, actividades em franco desenvolvimento, tendo vindo a ganhar apreciável notoriedade nacional e internacional:

  • Por um lado, devido à mediatização de alguns locais e das suas “ondas” de elevadíssima qualidade, designadamente através da realização de provas do calendário oficial internacional;

  • Por outro, devido ao aparecimento de atletas nacionais que disputam lugares cimeiros na alta competição mundial

Nos últimos anos, floresceram centenas de escolas de surf; as maiores marcas internacionais de produtos para a modalidade instalaram-se no nosso país, transformando-o num relevante produtor e exportador de material de elevadíssima qualidade, de que são exemplo: pranchas, vestuário e acessórios; e desenvolveram-se conceitos novos de alojamento, conhecidos por SURF CAMPS, que hoje representam milhares de camas de hotelaria não tradicional; em suma, Portugal está a criar um verdadeiro cluster económico associado ao SURF!

Senhora Presidente,

Senhoras e Senhores Deputados,


Este intenso trabalho – e o consequente reconhecimento exterior – pouco devem ao investimento das entidades competentes na promoção internacional do destino. Refiro-me, nomeadamente, ao Turismo de Portugal.

Ao invés, a divulgação tem sido incipiente. Sem custos, nem agências de comunicação ou outros artificialismos, vai passando de “boca em boca” através daqueles que nos visitam e que assim, se tornam nos nossos melhores embaixadores.

Se o cenário é o que é na base do improviso, o que seria com organização? Por mera hipótese académica, imaginemos que, ao longo destes últimos anos, o Turismo de Portugal tinha apoiado devidamente o sector – aliás, como era seu dever.

A realidade é que, sem o esperado e desejado retorno, infelizmente, se tem gasto milhões de euros na realização de programas promocionais estéreis e generalistas, que mais não fazem do que ignorar o SURF e este sector!

Tal como muitos vêm já defendendo em vários artigos sobre a matéria, o SURF e os desportos náuticos deveriam de estar para o turismo português como os desportos de neve estão para muitos países da Europa Central.

Acresce, no entanto em minha opinião, uma grande vantagem para o SURF. Enquanto que a neve tem um carácter eminentemente sazonal, o SURF tem a possibilidade de poder ser praticado durante todo o ano, minimizando a sazonalidade. Sublinhe-se até que as ondas para a prática da modalidade são de melhor qualidade fora dos meses de verão, constituindo-se como excelente complemento ao já consolidado produto Sol e Praia, que caracteriza Portugal enquanto destino turístico.

Aditava a esta ideia uma outra constatação. O turismo associado ao SURF é um turismo ambientalmente sustentável e equilibrado. Portanto, os turistas valorizam as boas práticas ambientais, não só no mar, mas também nas praias e na urbe que os acolhe.


Senhora Presidente,

Senhoras e Senhores Deputados,


A recente distinção da Ericeira com o galardão de RESERVA MUNDIAL DE SURF – a primeira da Europa e a segunda do mundo –, que terá a sua consagração no próximo dia 14 de Outubro, é muito mais do que um factor de discriminação positiva para o país traduzindo o reconhecimento internacional do seu valor; antes, é o garante do envolvimento dos parceiros locais, regionais e nacionais, na preservação e sustentabilidade da zona galardoada e de toda a orla costeira Portuguesa.

Para terminar gostaria de partilhar uma última reflexão. Prende-se com o reduzido investimento que é necessário fazer para explorar este recurso. As infra-estruturas já existem, e estão disponíveis. Essencialmente, importa promover e divulgar, sem poluir nem destruir.

Resumindo, o mar é, sem qualquer tipo de dúvidas, um património que assume uma relevância estratégica no desenvolvimento nacional, nas suas múltiplas esferas: económica, turística, desportiva, cultural e ambiental.

No contexto actual, em que os territórios competem cada vez mais pela captação de negócios e pela atracção de visitantes, Portugal não pode desperdiçar este autêntico “mar de oportunidades” que são, indiscutivelmente, os desportos náuticos, em geral, e o SURF em particular."



BLOG COMMENTS POWERED BY DISQUS

FOTOGALERIAS