Heptacampeã mundial Layne Beachley abre o jogo e fala da sua luta contra a depressão

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Problemas atormentaram Beachley antes da conquista do sétimo título mundial. Foto: WSL

 

Ter um trajeto imaculado e recheado de vitórias no mundo do desporto nem sempre pode ser sinónimo de uma vida tranquila. A prova disso é a australiana Layne Beachley. Lenda do surf mundial e recordista de títulos do Women's World Tour, Beachley teve um período complicado na sua vida, onde lidou de perto com problemas psicológicos. Foi a própria que o admitiu.

 

A depressão é uma doença que afeta inúmeras pessoas nos dias que correm e a heptacampeã mundial – sim, sete vezes campeã mundial! – foi um desses exemplos. Layne Beachley, de 43 anos, decidiu agora abrir o jogo e fê-lo com uma frase chocante e que ilustra bem o desespero que é viver com esta doença. "Acordava todos os dias a pensar em maneiras de me matar", revelou.

 

A primeira vez que Beachley teve noção dos seus problemas foi em 2006, pouco tempo antes de ter conquistado o seu sétimo título mundial. Após seis meses a acordar com pensamentos suicidas, decidiu contar a situação a um amigo chegado. No entanto, rejeitou abordar o tema com mais pessoas, inclusivamente com a família, por ter receio de se tornar um "fardo".

 

"Toda a gente interpretava a minha vida como sendo fantástica – eu tinha tudo! Tinha uma relação com uma estrela de rock, vivia na minha casa de sonho e viajava pelo Mundo inteiro", contou Beachley ao jornal australiano The Sydney Morning Herald. A surfista australiana admitiu ainda que ter escondido a doença acabou por fazê-la sofrer ainda mais.

 

Felizmente, a situação parece ter sido ultrapassada e, por isso mesmo, Layne Beachley decidiu agora contá-la, deixando um conselho a quem se debate com o mesmo tipo de problemas: "Quando estás num estado de dor, sofrimento e inquietação, o pior que podes fazer é ostracizares-te a ti mesmo", assegura a surfista, que é casada com Kirk Pengilly, guitarrista dos INXS.

 

Recentemente, Beachley decidiu também dar a sua ajuda à "One Wave Is All It Takes", organização sem fins lucrativos que apoia surfistas, tantos os que já ultrapassaram o problema como os que ainda sofrem com ele. Apesar de o facto de ter começado a surfar muito jovem lhe ter causado algumas inseguranças, sobretudo quando se cruzava com homens no lineup, Layne Beachley admite que o desporto salvou-lhe a vida "muitas vezes".

 

Foi já depois resolver enfrentar os seus problemas que Layne Beachley conseguiu assegurar o sétimo título mundial, precisamente há 10 anos. Depois de seis títulos entre 1998 e 2003, o triunfo em 2006 marcou o render da guarda da sua geração, aparecendo logo de seguida, em 2007, um fenómeno chamado Stephanie Gilmore, que está precisamente a um título de igualar o recorde de Beachley, que deixou o circuito a tempo inteiro em 2008.


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