Sagres Surf Culture 2016 apresenta: Julio Adler e Andrew Kidman

SSC Adler e Kidman

Julio Adler e Andrew Kidman são mais dos nomes que vão enriquecer a quinta edição do SSC.


É já na quinta-feira que é dado o arranque da quinta edição do Sagres Surf Culture. Um simpósio que privilegia o lado intelectual e cultural do surf e que reúne um elenco nunca antes visto em ocasiões do género. Alguns dos mais brilhantes artistas, pensadores e multifacetados surfistas deste modo de vida único vão estar juntos durante quatro dias num canto a sudoeste do nosso país.

 

Dessa forma, chegou a hora de apresentarmos mais dois dos ilustres convidados desta edição do quinto aniversário do SSC. De um lado um inigualável escritor e pensador brasileiro Julio Adler. O único representante da língua portuguesa no painel, brinda-nos com o seu humor requintado. Do outro lado, o realizador de uma das obras mais influenciadoras do surf mundial. Andrew Kidman também vai estar em Sagres e antecipou este grande evento.

 

Julio Adler - Este é provavelmente o nome mais conhecido do cartaz entre o público português. Julio Adler é um colaborador de longo termo da revista SURFPortugal e é unanimemente considerado o melhor jornalista de surf da língua portuguesa. A característica da sua escrita coloca-o numa linhagem direta com os grandes cronistas da literatura brasileira, sendo a crónica o formato literário por excelência no Brasil. Opinador de alto calibre, livre e ousado, Adler foi até já apelidado de Nick Carroll brasileiro - comparação lisonjeira para o australiano.

 

IMG 4467Foi escrevendo que Julio Adler se notabilizou ao longo dos anos.

 

SP – Foi uma surpresa receber este convite para o Sagres Surf Culture?

 

JA - Fiquei por dois motivos. Primeiro por ser o único dos internacionais a falar português. Depois por me achar mais um ouvinte do que acontece ali do que um orador.

 

SP - Quais são as expectativas para este evento?

 

JA - É como um rapaz de 10 anos, indo conhecer alguns dos camaradas que ele admira e tenta de alguma maneira imitar. Quem nunca tentou, ou imaginou tentar, reproduzir o que Kidman faz com pouco dinheiro e tanto amor? Ou repetir a façanha de surfar pela primeira vez uma onda fetiche - para além de ter o Alby Falzon filmando tudo e eternizado no clássico Morning of The Earth - como fez o Rusty Miller em Uluwatu... Desenhar como Birk ou Bloch... Iniciar uma causa ambiental sem nenhum apoio e tornar-se referência em causas ambientais... Na verdade - verdade mesmo - a expectativa é de surfar todos os dias...

 

SP - Está familiarizado com a importância de Sagres para a história portuguesa e dos oceanos?

 

JA - Sim, inclusive já lá estive visitando a Escola de Navegação de Sagres e ouvi as lendas.

 

SP - Na sua opinião qual o grau de importância de ter eventos mais ligados ao lado cultural, numa altura em que a vertente competitiva se tem tornado o lado mais mediático do surf?

 

JA - Não seria um exagero dizer que valorizamos demais a vertente competitiva? Tenho a impressão que nunca antes tivemos tanta diversidade no tratar do surfe. O próprio questionamento já demonstra isso. Todos os dias aparece, impresso ou virtual, alguma manifestação que ignora a parte competitiva do surfe. Isso pode ser notado no espaço que o surfe profissional tem tido nas principais publicações nos últimos 20 anos.

 

SP- Pode revelar algum dos conteúdos que pretende levar até ao evento?

 

JA - Futebol, boxe, cinema, música, literatura, obsessão, vício, Italo Calvino, João Valente e, quem sabe, surfe...

 

KidmanKidman também se destaca pelos atributos musicais. Foto: Cyrus Sutton/EOS

 

Andrew Kidman – Trata-se "somente" da mente por trás do filme de surf mais influente dos últimos 30 anos, segundo a opinião aqui da "casa". Kidman é o criador de "Litmus: a Surfing Odyssey", obra de 1996. Um filme que inadvertidamente, através de um olhar para o passado adaptado à contemporaneidade, acabou por inspirar a propagação do retro movement, que ainda hoje floresce no nosso meio. A versatilidade de Kidman inclui experiências como competidor na juventude, filmmaker, jornalista, shaper, artista plástico e músico.

 

SP – Foi uma surpresa receber este convite para o Sagres Surf Culture?

 

AK – Sim, foi uma bela surpresa. Já passei muito do meu tempo em França e Espanha, mas nunca desci até Portugal. Sempre quis visitar o oceano aí. Estou ansioso por fazê-lo.

 

SP - Quais são as expectativas para este evento?

 

AK – Não tenho expectativas. Apenas quero desfrutar de cada dia como ele se desenrolar.

 

litmus-poster-shop-run4E17 1 1 copyLitmus, a obra-prima de Kidman.SP - Está familiarizado com a importância de Sagres para a história portuguesa e dos oceanos?

 

AK – Não. E essa é uma das principais razões pelo qual quis estar presente no evento. Quero aprender algo sobre a costa e a vida das pessoas que ali vivem.

 

SP - Na sua opinião qual o grau de importância de ter eventos mais ligados ao lado cultural, numa altura em que a vertente competitiva se tem tornado o lado mais mediático do surf?

 

AK – É muito importante. Penso que o surf de competição é muito redutor. Partilhar o oceano, a sua beleza e riqueza é aquilo em que acredito que deveria consistir a experiência de surfar. Penso que a competição não faz parte disso.

 

SP- Pode revelar algum dos conteúdos que pretende levar até ao evento?

 

AK – Vou tocar algumas músicas dos filmes que realizei e farei uma sessão de perguntas e respostas sobre o Litmus.


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