Sagres Surf Culture 2016 apresenta: Rusty Miller e Sandow Birk

Sagres Surf Culture Rusty e Birk copy

Rusty e Birk são duas das estrelas do cartaz do aniversário da quinta edição do SSC.

 

A contagem decrescente está prestes a acabar. É já na quinta-feira que é se inicia mais uma edição do sempre irreverente Sagres Surf Culture. Em 2016 este evento dedicado à cultura do surf vai celebrar o quinto aniversário. Um marco que é motivo de festa. Dessa forma, o SSF apresenta um cartaz único e recheado de convidados internacionais, tal como avançámos em primeira mão.

 

Agora, chegou a vez de dar um pouco mais a conhecer as figuras que vão passar pelo festival que ninguém quer perder. Durante esta semana e até ao arranque do Sagres Surf Culture 2016, iremos fazer uma breve apresentação de todos os convidados especiais, juntamente com algumas palavras dos mesmos. E hoje começamos com Rusty Miller e Sandow Birk.

 

Rusty Miller – Originário da Califórnia, mas cidadão do Mundo, Rusty Miller é um dos grandes nomes que vão passar por Sagres. Foi um competidor de sucesso enquanto jovem, tornou-se big wave rider e, acima de tudo, teve o prazer de ser um dos pioneiros de Uluwatu, na Indonésia. Entrou em filmes de surf e publicou livros com fotos suas, passou também por locais como o Havai e Byron Bay, na Austrália. Este é o regresso a Portugal de um dos mais multifacetados ícones do surf mundial, depois de em 2012 cá ter estado no lançamento do projeto "Value of Waves", da Universidade Nova, assim como na edição de estreia do SAL.

 

Rusty Miler Sunset-Version-3Rusty Miller em Sunset. Foto: Don James/EOS

 

SP – Foi uma surpresa receber este convite para o Sagres Surf Culture?

 

RM – Foi uma enorme surpresa. Estávamos no Noosa Surf Festival quando chegou o email do João Rei [organizador do Sagres Surf Fest]. A minha mulher, a Tricia e eu tínhamos planeado uma viagem até à ilha australiana da Tasmânia em maio, onde nunca estive. Agora damos por nós numa ilha portuguesa mesmo no meio do Oceano Atlântico e dentro de dias estaremos no canto sudoeste de Portugal, em Sagres.

 

SP – Quais são as expectativas para este evento?

 

RM – Tento não ter expectativas. Nós conhecemos o João Rei há quatro anos, quando ele estava a preparar a primeira edição do evento. Desde logo, percebi que que o ênfase do festival era mais sobre a cultura e a arte e não sobre a atualidade do surf. Espero ter a oportunidade de desfrutar do trabalho dos outros artistas presentes e vou tentar olhar para o evento como um simpósio intelectual de pessoas progressistas e emotivas.

 

SP – Está familiarizado com a importância de Sagres para a história portuguesa e dos oceanos?

 

RM – Um pouco. Mas estou aberto a aprender mais sobre isso.

 

Turning-Point-11Capa do livro Turning Point ISP – Na sua opinião qual o grau de importância de ter eventos mais ligados ao lado cultural, numa altura em que a vertente competitiva se tem tornado o lado mais mediático do surf?

 

RM – Penso que é muito importante. Há muitas mais coisas que os surfistas podem fazer futuramente para darem uma contribuição significativa como um todo em relação à saúde e manutenção do nosso ambiente físico e social. Não vejo o surf como um desporto. Nunca o vi de tal forma, apesar de ter competido nos primeiros anos da minha carreira.

 

SP- Pode revelar algum dos conteúdos que pretende levar até ao evento?

 

RM – Claro. Vou falar da primeira vez que vim a Portugal, em 1964. Vim a bordo de um navio, no qual eu era um simples estudante universitário com uma prancha de surf. Vou também falar sobre as fotografias dos meus dois livros mais recentes, chamados "Turning Point". E ainda quero tocar uma música que escrevi no início dos anos 70, sobre o meu spot favorito de surf, onde tenho vivido nos últimos 40 anos.

 

 

Sandow Birk – Artista plástico norte-americano, que talvez tenha sido o mais eficaz a ultrapassar a esfera da surf-art para a high-art. Faz adaptações modernas e reinterpretações de quadros famosos, colocando elementos inovadores. Já realizou filmes e publicou livros. Birk é ainda um fanático de Portugal. Foi competidor de sucesso a nível mundial e vinha ao nosso país regularmente, instalando-se na Praia da Poça. Afirma que Lisboa é a melhor surf trip do Mundo e que nenhuma capital europeia tem tanta oferta, tanto em termos de surf, como de história e cultura.

 

30fink 650Birk foi, muito provavelmente, o artista que conseguiu sair com maior êxito da surf art para a high art.

 

SP – Foi uma surpresa receber este convite para o Sagres Surf Culture?

 

SB – O convite surgiu do nada e apanhou-me de surpresa. Não estava familiarizado com as edições anteriores do Sagres Surf Culture, por isso não sabia do que estavam à procura. Ser convidado para ir até Sagres é fantástico e é muito bom ter a oportunidade de partilhar o meu trabalho com outras pessoas interessados em arte, surf e no ambiente. Passei já muito tempo em Portugal e sempre tive o sonho de encontrar um estúdio ou um apartamento em Lisboa, mas ainda não aconteceu. Não podia estar mais feliz por estar de regresso a Portugal para conhecer pessoas interessadas no mesmo tipo de trabalho que o meu, assim como na cultura do surf e lifestyle.

 

SP – Quais são as expectativas para este evento?

 

SB – Estou muito interessado em conhecer outros artistas cujo trabalho é inspirado pelos oceanos. Nas minhas viagens anteriores sempre tropecei em algo novo, interessante ou histórico sobre Portugal, que tenho utilizado nos meus trabalhos. Por exemplo, os azulejos são fantásticos e tenho feito vários murais de azulejos nas Califórnia inspirados neles. Por isso, é sempre bom viajar, ver coisas novas e conhecer outros artistas.

 

SP – Está familiarizado com a importância de Sagres para a história portuguesa e dos oceanos?

 

SB – Sou muito ciente da história e da importância de Sagres, uma vez que também sou um admirador da história portuguesa e brasileira. Vivi no Rio de Janeiro durante quatro anos, por isso sou muito familiar com esta história. Visito frequentemente o Museu da Marinha, em Lisboa. Adoro os exemplares dos navios e a história do mar. Nunca estive em Sagres, por isso estou muito entusiasmado para visitar e ver lugares sobre os quais já li.

 

009SP – Na sua opinião qual o grau de importância de ter eventos mais ligados ao lado cultural, numa altura em que a vertente competitiva se tem tornado o lado mais mediático do surf?

 

SB – Penso que o surf representa muitas coisas diferente e tanto pode ser visto como um desporto ou como uma atividade solitária. Mas penso que o que é esquecido muitas vezes no surf é a sua ligação à história marítima. O surf é visto geralmente como um passatempo para os adolescentes se divertirem, algo idiota e despreocupado. Mas, pela minha experiência, o surf é competitivo e desafiador, muitas vezes frio e pouco agradável. Sinto uma conexão com a história do oceano, que penso que é esquecida pelo público em geral.

 

SP- Pode revelar algum dos conteúdos que pretende levar até ao evento?

 

SB - Vou levar algumas pinturas relacionadas com a história contemporânea e também mais recente. A morte de Sion Milosky em Mavericks, na Califórnia, ou a fundação do gangue Crips, em Las Vegas, entre muitos outros trabalhos.


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