Billabong deixa de patrocinar o Capitulo Perfeito; Organização e marca explicam razões

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Novo cartaz já não conta com a presença da marca. Foto: Allianz Capítulo Perfeito.


Um inverno completamente atípico, graças ao efeito provocado pelo El Niño, foi um dos principais responsáveis pelo facto de a costa portuguesa não ter tido muitos dias épicos durante os últimos meses. Dessa forma, a Praia do Norte, na Nazaré, não ofereceu margem de manobra para a realização do Allianz Capítulo Perfeito powered by Billabong, forçando a organização a adiar inicialmente o período de espera por mais algumas semanas. Posteriormente, acabou por mover o evento para o próximo outono.

 

Mas a "segunda temporada" deste evento especial dedicado à manobra rainha do surf, o tubo, não é a única alteração provocada pelas desagradáveis surpresas deste inverno. A quinta edição do Capítulo Perfeito perdeu ainda um dos seus sponsors mais importantes e antigos, curiosamente o único que pertence à indústria do surf: a Billabong. Por enquanto, o evento encurta a sua designação para Allianz Capítulo Perfeito.

 

Do lado da organização respeita-se a decisão da Billabong, embora se lembre as dificuldades que este tipo de "corte" cria a um dos eventos com maior nome do surf nacional. Contudo, a marca garante que não agiu de "má fé", argumentando que a sobreposição de eventos, originada pela mudança das datas, faz com que seja "impossível" continuar envolvida no Capítulo Perfeito.

 

"Respeitamos e compreendemos a decisão da Billabong", começa por dizer Rui Costa, organizador e criador da marca Capítulo Perfeito. "Este evento está acima de qualquer marca. O conceito vive dele próprio e não de uma marca. Achámos que a melhor opção passava por esgotar ao máximo todas as possibilidades de fazer um evento com ondas perfeitas. Estamos a falar da Praia do Norte, que é das poucas praias em Portugal, senão a única, que nos permite ter duas temporadas. Por isso, não hesitámos em marcar um novo período de espera para outubro e novembro, com tudo o que isso possa custar", defende.

 

Por seu lado, Aécio Flávio Costa, Marketing Manager da Billabong Portugal, afirma que este é um evento que encaixa na política da marca, mas o planeamento do ano acabou por ditar este desfecho. "Fazia parte do plano que era uma proposta para o inverno. Para a segunda parte do ano temos outro planeamento. Mas não queremos, de todo, fechar portas. Esperamos que a organização sinta isso. A nossa decisão não é de má fé. Simplesmente esta mudança não se ajusta ao nosso planeamento e estratégia para o ano", explica.

 

"Temos um compromisso com o público e com os surfistas, que foram eles que conseguiram os votos, e tudo fizemos para que o evento não passasse para o ano seguinte".

 

As condições ideais para a realização do campeonato acabaram por não surgir, mas não foi por isso que Rui Costa abdicou do propósito original, mesmo percebendo que a Billabong mostrou desde logo algum desconforto com a possibilidade do surgimento de uma nova temporada. "Temos um compromisso com o público e com os surfistas, que foram eles que conseguiram os votos para entrar no evento, e tudo fizemos para que o evento não passasse para o ano seguinte", destaca.

 

"Como isto não estava previsto nem contemplado na relação que tínhamos com a Billabong, a marca decidiu sair do evento nesta altura. Nós respeitamos isso e agradecemos o que nos ajudaram a crescer nestes últimos três anos. Vamos seguir o nosso caminho. Amigos como dantes, mas o Capítulo Perfeito está acima disso tudo. O que a organização entendeu foi o que era melhor para o evento", sublinha Rui Costa.

 

Três pilares

 

Aécio Flávio Costa detalhou-nos os três pilares em que assenta a decisão da Billabong. Em primeiro lugar a marca garante estar "linkada" a eventos como este, nomeadamente pela "credibilidade que o evento tem, pelas características e o conceito do evento em si, mas também porque é algo em prol da indústria do surf". "A Billabong apoia eventos como este e estivemos sempre ao lado da organização, mesmo depois da primeira mudança de datas", realça o responsável da marca.

 

Em segundo lugar, a nível interno, "existe a aptidão para a marca estar relacionada com a organização de eventos deste género", lembra Aécio,  deixando uma garantia: "Há sempre uma porta aberta a este evento. A Billabong está no mercado há mais de 40 anos e faz parte da política da marca apoiar este tipo de eventos, que nos fazem acreditar e ajudar a indústria do surf. Não é por não ter acontecido que isso vai mudar".

 

No entanto, foi o terceiro pilar que acabou por ser inevitável para a saída do evento, uma vez que a sobreposição de datas entre o Capítulo Perfeito e os campeonatos internacionais que acontecerão em Portugal acabou por resultar em divergências de planeamento. " A alteração de datas levou a que seja impossível para nós estar a acompanhar o evento. No nosso plano de marketing, de ativação e de presença de marca, faria todo o sentido estar presente no início do ano, uma vez que existem boas ondas, o local é esplêndido e a comunicação da Billabong Portugal estaria a 100 por cento no evento", explica.

 

"Ficamos sempre numa posição difícil e neste caso não conseguimos andar para a frente e acompanhar a decisão de alterar a prova para outubro e novembro".

 

Aécio reafirma que ao passar para a segunda metade do ano, o evento deixa de fazer sentido no plano anual da marca. "Não só por ser posterior e muito próximo do QS10000 que organizamos anualmente em Cascais, com a nossa sede a estar inteiramente dedicada a um evento de importância nacional e internacional. Mas também porque a seguir vem o WCT. Sendo a Billabong uma marca internacional, temos várias ativações com a nossa equipa do Tour - mesmo que não sejamos patrocinadores da etapa -, uma vez que vamos fazer valer a presença desse team por cá", desvenda.

 

A Billabong mostra não pretender que se criem dúvidas em relação a esta saída, sendo que essa sobreposição acabou por ser mesmo impeditiva da continuidade da parceria. "Ficamos sempre numa posição difícil e neste caso não conseguimos andar para a frente e acompanhar a decisão de alterar a prova para outubro e novembro. Acompanhamos, apoiamos e acreditamos no projeto a 100 por cento, como aconteceu nos outros anos. Neste caso específico de 2016 não houve ondas e passar para a segunda metade do ano já é impossível", termina Aécio Flávio.

 

Evento não está em causa

 

Apesar das dificuldades criadas pela saída da Billabong, Rui Costa garante que o evento vai mesmo realizar-se e sem qualquer alteração a nível de prémios e condições para os surfistas. "Nada fica colocado em causa no evento. Financeiramente, a nível interno, existirão algumas alterações. Tanto a nível de imagem, como de coisas que já estavam feitas, implicará alguns custos para a organização. Mas vamos manter tudo aquilo que prometemos, como o prize-money e tudo o que estava previsto e combinado entre nós e os surfistas", assegura.

 

"O evento vai sempre realizar-se. Assumimos sempre as nossas responsabilidades, que vêm já desde o primeiro dia de 2016. Por isso, temos de as cumprir. Vamos sempre realizar aquilo a que nos propusemos, ao público e aos surfistas. Mas não há dúvida que será muito mais difícil para a organização se não aparecer uma marca que substitua a Billabong", lamenta Rui Costa, antes de revelar que já existem contactos com outras marcas: "Estamos a avaliar as hipóteses para ser possível a entrada de um novo patrocinador".

 

Por fim, Rui Costa garante que a solução encontrada para levar o evento para outubro e novembro foi ao encontro das pretensões dos surfistas e da maioria dos sponsors. "Quando falámos na situação, os surfistas expressaram todos a vontade de competir em outubro/novembro e recebemos também o apoio da maioria das marcas, como a Allianz, Kia, RTP e PT. Tomámos a melhor decisão, tanto para os envolvidos nesta 5ª edição como para o futuro do evento", conclui.


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