As reflexões de Kepa Acero depois de quase perder a vida em Mundaka

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O pior já passou para Kepa. Felizmente!

 

Ponto prévio: Todos temos dias maus. Cada qual à sua maneira. Mas há sempre algo que nos puxa para cima. Que nos inspira. Que faz valer a pena. Este vídeo é um exemplo soberbo e inequívoco disso.

 

Quem procura inspiração ou simplesmente cinco minutos de reflexão, nos quais possa fugir ao terramoto de emoções do dia-a-dia acelerado e galopante em que nos deixamos levar, sem sequer usar o pensamento, o verdadeiro e real, tem aqui um belíssimo escape.

 

Diariamente vejo-me forçado a tentar usar as melhores palavras e enredos para tentar cativar - outras vezes a palavra adequada é mesmo enganar, ainda que não propositadamente – alguém a ler este ou aquele conteúdo.

 

Neste mundo cada vez mais instantâneo e tão fragilmente dependente das redes sociais – essas inimigas da vida; da real – fica difícil captar atenções, sendo por isso necessário recorrer a esses "ganchos" demasiadamente plásticos para angariar míseros 30 segundos aos vulneráveis alvos.

 

Hoje estou-me a borrifar para isso tudo – só para não dizer que me estou mesmo a cagar! Não vou enganar ninguém. Quem não ler, o pior que pode acontecer é ficar a perder...

 

Podem gostar ou não de Kepa Acero. E respeito quem não aprecia o registo do surfista viajante que há nesta personagem única vinda do País Basco. Mas, a verdade, é que estamos na presença, mais do que um surfista, de uma das pessoas mais inspiradoras que este planeta já "pariu".

 

Isto a propósito do novo vídeo em que Kepa fala dos seus últimos meses, depois de quase perder a vida num acidente a surfar em Mundaka, a sua onda, a sua casa. Para alguém que faz das viagens e das experiências o modo de vida deve ter sido duro, mais do que não poder surfar, não ter a oportunidade de rasgar as fronteiras do globo.

 

Mas ele está de volta. À água e aos testemunhos únicos. Acreditem que serão os 5 minutos mais bem empregues do vosso dia – lá estou eu a usar a merda das técnicas de persuasão fácil e barata da web. Mas é a verdade e não há como esconder.

 

Quer gostem ou não, ouçam a mensagem de Kepa Acero. E se não vos tocar, então têm um coração de pedra. Ou como ele próprio diz, não conseguem sequer parar para pensar "como e com quem estão a passar o vosso tempo".

 

As mensagens de Kepa, sim, são um verdadeiro conteúdo para consumir. Se todos levassem a vida da forma que ele leva, certamente teríamos um mundo... não digo melhor, mas mais alegre e genuíno.

 

Felizmente, este mundo, apesar de injusto para muitas pessoas, ainda é justo para outras. Kepa Acero está de volta à água. Para desfrutar e levar com ele a todos os cantos do planeta. Já planeia regressar a África. E promete querer voltar a apanhar o tubo que quase o matou.

 

Mas não há palavras – embora já tenha gasto muitas... - que expliquem ou que façam jus a este ser humano esplêndido. Por isso, o melhor mesmo é ficarmos com as próprias palavras e imagens de Kepa, tentando interiorizar um pouquinho que seja da sua extraordinária lição de vida.

 

Um testemunho muito, mas mesmo muito bom! Não o digo para convencer alguém. É apenas uma opinião pessoal, seja ela importante ou não.

 

No meio de algum azar ou infelicidade, acabo por perceber que sou um sortudo. Tenho uma profissão que me permite fazer o que gosto. Mas que me exige um esforço para lá do lado físico; algo não quantificável em dinheiro – que se lixe o dinheiro!

 

Talvez seja só eu um infinitamente indeciso... Muitas vezes dou por mim a duvidar se isto vale a pena. Deixar tanta gente para segundo plano – e, felizmente, tenho muita gente boa na minha vida – em troca de horas e horas gastas, onde também eu – assumo-me culpado – não consigo pensar o que ando a fazer com o meu tempo.

 

No entanto, mesmo quando sei antecipadamente a resposta futura para resolver este dilema, que nos divide entre a paixão de deixar a nossa marca num universo tão inalcançável e a paixão de simplesmente viver, penso que algum deste esforço já valeu a pena.

 

Quando olho para trás uma das coisas que melhor guardo na memória foi o dia em que conheci Kepa. Na Caparica. Noite quente, de verão, tal como agora. Entrevista marcada. Mas aquilo foi muito mais que uma entrevista. Foi uma conversa calma e honesta. Não foi trabalho, foi vida. Foi um privilégio. Com o mar ali à frente. E até com direito a partilhar uma cerveja.

 

Foi único e não tem mesmo preço. Não a trocava por um dia inteiro com qualquer personagem super mediática - e vazia. Só por isso já valeu a pena a minha existência, pois nenhum mal supera estes pequenos, mas tão ricos, prazeres da vida – da real. Desfrutem, só isso.

 

Quando comecei a teclar este pequeno agradecimento, chamemos-lhe assim, estava bem mais em baixo e cansado do que quando o terminei. Também tenho dias maus, sim. O trabalho consome-nos. E por vezes esquecemo-nos do resto.

 

Contudo, este não foi um desses dias, pois esta obra do Kepa Acero - para a qual já ando desde o início da semana a tentar ter alguns minutos para a ver; com olhos de ver – não permitiu que assim fosse. Ainda nem o acabei de ver e já me inspirou como nada o tinha feito nos últimos dias. Obrigou-me a este desabafo em forma de elogio, desculpem.

 

Acreditem que conseguir retirar 5 minutos prazerosos em 24 horas de um dia é uma tarefa, cada vez mais, ao alcance de poucas, mas sábias, pessoas.

 

Obrigado, Kepa. É uma bênção poder continuar a ver-te por cá. A surfar, mas sobretudo a inspirar como só tu sabes fazer. Isto é mais que um vídeo de surf, é uma vídeo sobre a vida...

 

João Vasco Nunes

 


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