O assombroso ano de Ethan Ewing e as comparações com Andy Irons

Ethan ewing

Ewing tem já um surf bastante power e que promete provocar muita destruição em 2017. Foto: WSL

 

Ethan Ewing é a nova coqueluche do surf mundial. Já o era antes do final da época e de ter agora conquistado o título mundial de juniores, em Kiama. E já começava a demonstrar que o ia ser precisamente há 12 meses, no arranque da temporada de 2016 e quando poucos sabiam sequer quem era este jovem natural de North Stradbroke Island, na Austrália.

 

A verdade é que Ewing, de apenas 17 anos, protagonizou uma das ascensões mais meteóricas dos últimos anos no surf mundial de competição. Foi uma subida tão abrupta que o jovem australiano chegou mesmo a ponderar não aceitar a vaga de qualificação e permanecer mais um ano no WQS para amadurecer, numa atitude à la Taj Burrow.

 

Mas Ethan Ewing vai mesmo juntar-se à elite do surf mundial em 2017 e as expectativas sobre ele são bastante elevadas, até porque antes do título mundial júnior terminou o ano como número 2 do WQS e venceu o título de rookie da Triple Crown havaiana.

 

Isto já depois de ter vencido um QS3000 na Costa Rica, onde bateu Frederico Morais nos quartos-de-final, e de se ter apresentado "oficialmente" ao Mundo do surf com o surpreendente 2.º posto alcançado no Vans US Open of Surfing, numa prova onde venceu o campeão mundial Adriano de Souza e apenas foi batido por Filipe Toledo.

 

Ewing apresenta-nos um cartão de visita incrível. Se tivermos em conta que iniciou o ano de 2016 fora do top 250 mundial ficamos ainda mais surpreendidos com toda este trajetória. O jovem australiano nem sequer tinha entrada direta para os campeonatos mais importantes do WQS. Mas um arranque de temporada impressionante acabou por ajuda-lo a voar alto.

 

Começou por vencer um QS1000 em Burleigh Heads, na Austrália, e foi finalista vencido de outro, logo na semana seguinte, em Cabarita. Depois disso, aconteceram as quatro vitórias consecutivas no circuito Pro Junior da Australasia, que lhe valeram o título de campeão júnior de forma antecipada.

 

Ewing já não passava despercebido a ninguém... nem mesmo a nós. Vai ao Japão competir num QS6000 e consegue um importante 9.º lugar. O momento de forma faz com que a WSL lhe conceda um wildcard para o QS10000 de Ballito e responde da melhor forma com um 5.º posto. A partir daqui era só esperar pela rotação do seeding a meio do ano para estar confirmado entre a nata do top 100 mundial.

 

A partir daqui foi o que se sabe e era já seguro afirmar que não havia nenhum engano. Ethan Ewing era mesmo um talento a explodir. Acabaria por rebentar em Huntington Beach, onde assumiu os primeiros lugares do ranking, sabendo-se a partir daí que a qualificação para o Tour seria uma questão de semanas.

 

Com poucas produções de free surf espalhadas pela web, Ewing afirma-se como um animal de competição e já ninguém nega que esta é a grande resposta da Austrália aos novos talentos que emergem no Brasil, Havai e Estados Unidos. Após a forte geração liderada pelos coolie kids, e com Julian e Owen Wright longe de confirmarem o augúrio de futuros campeões, podemos estar aqui na presença, finalmente, de um futuro campeão mundial australiano.

 

O estilo de Andy

 

Ethan Ewing é um surfista regular e quem olha para o seu surf vê um competidor completo. Apesar de saber lidar com o movimento progressivo que assaltou o surf nos últimos anos, a coqueluche australiana dá primazia às linhas mais tradicionais e ao power surf. Conseguiu beber inspiração um pouco por todo o lado e tem vontade de continuar a evoluir todos os aspetos do seu arsenal.

 

John John Florence, Mick Fanning e Andy Irons são alguns dos modelos que seguiu. O quiver é da DHD Surfboards, que também trabalha com Fanning, e há ali pormenores que foram trabalhados de forma idêntica. Aliás, o tricampeão mundial australiano não hesita em afirmar que Ewing é mesmo a next big thing do surf mundial.

 

Mas as principais comparações são feitas com Andy Irons, sobretudo devido ao estilo que possui no ataque às ondas. O shaper Darren Handley revelou mesmo que usa métodos para as pranchas de Ewing que são idênticos ao que fazia quando fabricava pranchas para o lendário surfista havaiano.

 

Ethan Ewing admite que Irons é mesmo o seu grande ídolo no surf mundial e quem mais o inspira. O Havai é um local onde se sente à vontade e, apesar de ser australiano, os resultados conseguidos no North Shore de Oahu falam por si. Começou a surfar por volta dos 5 anos e sonhava ser bombeiro. Contudo, o talento que denota coloca-o num patamar onde poucos nomes do surf mundial chegaram.

 

Antes de 2016, Ewing tinha apenas conquistado um evento do Pro Junior australiano, sendo que 2015 representou a sua primeira época a competir em provas da WSL. Nesse mesmo ano faz ainda uma final no QS1000 de Keramas, em Bali, onde é derrotado pelo compatriota Taj Burrow. Aí, ainda quase ninguém o conhecia. A partir daí deu-se uma viagem alucinante até ao topo do surf mundial.

 

A sua época de rookie no World Tour vai ser extremamente decisiva para percebermos até onde o seu talento o vai levar. Com um surf versátil e completo, Ewing é capaz de se adaptar rapidamente a qualquer tipo de condições. Contudo, vai estar frente aos melhores 34 surfistas do Mundo. No entanto, é inegável que é em Ethan Ewing que mais olhos vão estar colados quando arrancar o próximo Tour, em março, em Snapper Rocks.

 


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