Sírio ficou paraplégico na guerra e agora surfou pela primeira vez

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Voluntários ajudaram Kardoosh a voltar ao mar. Foto: CBC

 

Chama-se Salih Kardoosh e dá o rosto pelos milhares de vítimas que a guerra na Síria já provocou. Salih era um simples agricultor local que um dia ficou paraplégico, depois de levar um tiro que lhe danificou a espinha. Agora, está no Canadá e teve a oportunidade de surfar pela primeira vez na vida.

 

A experiência teve lugar na região de Nova Scotia. Salih vive em Halifax, com a mulher e as duas filhas, desde maio de 2016. É o Nova Scotia Rehabilitation Centre que tem feito o seu processo de reabilitação. No verão passado foi integrado num programa para pessoas com lesões na espinal medula, que tem como objetivo colocá-las a surfar, de forma a que sintam uma sensação de liberdade única.

 

Salih Kardooh enfrentou assim as águas geladas canadianas com a ajuda dos voluntários que o rodearam. Este cidadão sírio fora nadador no seu país, onde se lembra da água quente do Mediterrâneo. Esse contraste trouxe-lhe "memórias tristes" do passado, mas também um "sentimento de felicidade" por poder estar na água, segundo contou ao canal CBC.

 

Hoje-em-dia Salih consegue mexer as mãos e está focado apenas na recuperação. Consegue sair da cama para a cadeira de rodas e vice-versa e, aos poucos, vai ganhando mais mobilidade. Ainda assim, não esquece tudo o que ficou para trás, uma vez que na Síria tinha carro próprio, casa próprio e o seu negócio.

 

Salih Kardooh era agricultor e transportava frutas e vegetais da sua localidade, Deir ez-Zor, para a capital Damasco. Há quatro anos, quando fugia da guerra com a mulher e filhas acabou por ser atingido por um tiro de um sniper, que o deixou nesta condição. Salih ficou vivo para contar o seu testemunho, mas são muitos os que não podem dizer o mesmo.

 

Felizmente, o surf tem sido um meio de reintegração para vários refugiados espalhados pelo globo, sobretudo em países como a Austrália. Neste caso, não se trata apenas de um refugiado, mas também de um sobrevivente com marcas bem patentes do "massacre" que está a acontecer na Síria. E que pela primeira vez em anos teve a oportunidade de regressar ao mar e mostrar o oceano às suas filhas.


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