Liga Moche: Nova regra da prioridade entrou em vigor na Ericeira

Ambiente 4

Juízes e surfistas já tinham contacto com esta realidade a nível internacional. Foto: Pedro Mestre/ Liga Moche

 

O Allianz Ericeira Pro by Dakine marcou o arranque da nova temporada da Liga Moche, mas também foi o primeiro capítulo de um novo paradigma no que ao principal circuito nacional diz respeito. Para 2016, a Associação Nacional de Surfistas (ANS) decidiu fazer algumas alterações no formato competitivo, aprovadas posteriormente pela Federação, com destaque para a mudança da regra da prioridade.

 

Ao contrário do que aconteceu em anos anteriores, onde quem tinha a prioridade era o surfista que estava mais dentro do pico, agora as prioridades passam a funcionar tal como na World Surf League. No começo do heat ninguém tem prioridade e, à medida que vão apanhando ondas, passa a ser dada a prioridade pela ordem de chegada ao pico.

 

Francisco Rodrigues, presidente da ANS, frisa que esta foi uma decisão que não partiu somente de si, mas principalmente da opinião dos surfistas. "Tentamos ouvir sempre o input dos surfistas e foram eles que manifestaram interesse nesta mudança", começou por dizer-nos Francisco Rodrigues.

 

"Esta é uma convergência para os padrões internacionais, seguindo o que é utilizado atualmente. Sempre dissemos que a Liga Moche tem de funcionar como plataforma de desenvolvimento e de treino para os surfistas, visando a internacionalização dos mesmos. Esta era uma mudança obrigatória, que só não se deu mais cedo por algumas impossibilidades", garantiu o presidente da ANS.

 

José Ferreira foi um dos surfistas que apoiou esta mudança, realçando igualmente a aproximação à realidade internacional e apelidando-a de "justa". "Achei fantástico [a alteração]", confessa-nos o surfista que na Ericeira terminou no 5.º posto. "Acaba por ser um treino para o que se passa nas competições internacionais, tanto para nós como para os mais jovens que ambicionam lá chegar. É um sistema mais justo, porque o surf está em primeiro lugar", afirmou Zé.

 

"Favoreceu o surf, a qualidade das performances e a verdade desportiva.”, Nuno Trigo

 

Do lado dos juízes a adaptação a esta mudança decorreu de forma natural. Até porque, como salienta Nuno Trigo, que exerceu o cargo de chefe de juízes na Ericeira, muitos já têm contacto com a realidade quando julgam em provas internacionais. “A maior parte dos juízes já tem trabalhado com esta regra a nível internacional. Havia alguns juízes com menos experiência, mas habituaram-se facilmente”, garante-nos.

 

“Esta mudança até vem facilitar. É melhor no nosso caso para pontuar, as interferências diminuem, os surfistas escolhem as melhores ondas e, no geral, a performance é melhor. É melhor pra todos. É um sistema mais justo, onde há igualdade de oportunidades e os juízes também têm mais tempo para se concentrar. Favoreceu o surf, a qualidade das performances e a verdade desportiva”, reforça Nuno Trigo.

 

Ainda assim, esta mudança obrigou a que agora exista um novo posto no painel de juízes: o juiz de prioridades. Esta nova figura tem a função de concentrar-se exclusivamente na prioridade, decidindo sempre em sintonia com o chefe de juízes. “Tivemos de encontrar alguém com competência para se adaptar ao cargo de juiz de prioridade. Essa é que foi a grande novidade”, conclui.



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