João Guedes: «Muitas vezes, sair do nosso local é o que nos faz evoluir»

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Campeão nacional de 2009 está com o surf afiado para competir em "casa" na Liga MEO Surf. Foto: Pedro Mestre/ANSurfistas

 

A Liga MEO Surf prepara-se para rumar ao Porto, para a segunda etapa de 2017, e não há nenhuma região do país que tenha um representante tão demarcado como o Norte, pela pessoa de João Guedes. O antigo campeão nacional de 2009 concedeu uma interessante entrevista à ANS, onde fala da "alegria e orgulho" em ser, mais uma vez, a cara do evento nortenho e também de todo a ambição que, aos 31 anos, ainda possui na carreira.

 

Depois de um 9.º lugar alcançado na etapa inaugural na Ericeira, Guedes não se intimida de assumir que o objetivo para o Renault Porto Pro passa por "ganhar". Mesmo que pela frente vá ter alguns dos maiores talentos do surf nacional, entretanto inscritos para a etapa nortenha, que se vai desenrolar já no fim-de-semana de 12 a 14 de maio.

 

"Para além de ser uma das maiores cidades do País, o Porto é uma cidade que movimenta um número grande de surfistas", começa por dizer João Guedes sobre o próximo palco da Liga MEO Surf. "É uma cidade que tem história no surf e pela qual a Liga sempre passou. Além disto, é uma das etapas que tem mais espectadores. A comunidade do surf também se envolve com o campeonato. Por ser do Porto, conheço as pessoas que estão a assistir e vejo grande parte da comunidade do surf do Norte a assistir ao campeonato e às várias fases da competição", salienta.

 

Apesar de já não ser um surfista jovem, Guedes recusa pensar em deixar a competição. "Para mim, enquanto tiver essa vontade, faz todo o sentido continuar a competir na Liga, sendo um dos principais palcos para libertar a minha veia competitiva. É o nosso circuito de excelência e não tenho sequer em mente deixar de competir. Sobretudo, num momento em que o campeonato está forte, o nível está alto e há 5 etapas", ressalva.

 

O goofy que divide o seu tempo entre o Porto e a Ericeira fala ainda da dificuldade que foi profissionalizar-se como surfista, crescendo numa zona longe do epicentro da indústria do surf. "Confesso que não era fácil. Na altura, o Porto não estava tão evoluído como Lisboa na formação de surfistas profissionais. Tínhamos alguns bons surfistas, de gerações acima da minha, que competiam no circuito nacional e chegaram a tirar bons resultados e posicionamentos nos rankings, mas era complicado dar seguimento à carreira de surfista profissional", relembra João Guedes.

 

"Uma das coisas que fiz, durante toda a minha evolução enquanto surfista, foi ir para a Grande Lisboa muitas vezes, porque era o centro do surf nacional. Para além da variedade de ondas que há e, até mais do que isto, ver um maior número surfistas melhores, também ajudou. Acredito que tudo isto, na altura, ajudou a integrar-me", revela, deixando ainda o conselho aos mais jovens de saírem da zona de conforto, algo que, no seu ponto de vista, ajuda um surfista "a evoluir".

 

"Seja em que desporto for, se uma pessoa fica muito fechada no seu local natal, acaba por ter uma evolução mais limitada. Sair é sempre muito positivo, seja para Sul, Norte ou lá fora. Muitas vezes, sair é o que nos faz evoluir. Ver outros surfistas, surfar noutras ondas, treinar com outro tipo de pessoal. É o que puxa por nós. Ainda assim, o sucesso depende e começa sempre na tua vontade pessoal. Temos de ter vontade, de querer, e de trabalhar para isso, o que não é fácil. Com estas coisas, o resto vai atrás e por consequência. Claro que o jeito e talento são importantes, mas há exemplos de vários surfistas que até isso trabalharam e foram surfistas de sucesso. A força de vontade é o que fala mais alto", conclui Guedes.



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