Gabriel Medina trava Slater, impede a terceira de Wilko e volta a conquistar o Fiji Pro

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Medina pisou o lugar mais alto do pódio no Tour pela sétima vez na carreira. Foto: WSL

 

Vencer em Cloudbreak não está ao alcance de todos e só mesmo os melhores podem dizer que o conseguem. Ganhar duas vezes, então, é algo ainda mais relevante. Gabriel Medina superou tudo e todos, até mesmo quem parecia intransponível, de forma metódica e eficaz, conquistando um dos troféus mais desejados do surf mundial pela segunda vez na carreira.

 

Em 2014 foi ali que se afirmou definitivamente como grande candidato ao título. Em 2016 oferece a primeira vitória da temporada ao Brasil e voa para a vice-liderança do ranking, ficando a 8.500 pontos do topo, reiterando que têm de contar com ele na luta pelo título mundial. Após superar Adriano de Souza e Kelly Slater de forma taticamente perfeita, na final a super estrela brasileira não deu qualquer hipótese a Matt Wilkinson num duelo de goofys.

 

A última vitória de Gabriel Medina havia sido no ano passado na França, no mesmo sítio onde conquistou a primeira no CT. Agora, regressou ao lugar mais alto do pódio, após mais uma impressionante demonstração tática, mas também técnica, nos pesados tubos das Fiji. É a sétima vitória da carreira no Tour para o surfista brasileiro, de 22 anos, que a partir de agora é o principal perseguidor à liderança – cada vez mais justificada - de Matt Wilkinson.

 

8 notas sobre o Fiji Pro:

 

- Medina provou-se novamente como o melhor competidor do Mundo, inclusive em ondas de consequência. Se o triunfo em 2014 foi em condições bem mais pequenas e menos exigentes, desta vez não há nada a apontar ao fenómeno brasileiro. Um triunfo ímpar, que só encontra semelhança com a vitória em Teahupoo em 2014.

 

- O mar subiu em Cloudbreak, mas esteve longe da perfeição da véspera. O dia final acabou por ser um pouco agridoce, pois não houve a emoção e o festival de tubos que nos fez delirar na quinta-feira. Talvez também por não termos tido as meias-finais de sonho que todos esperavam, graças às derrotas de Fanning e John John nos quartos-de-final. Mas a lógica é coisa que conta pouco no surf. Sobretudo em 2016...

 

- Matt Wilkinson continua a surpreender tudo e todos e só não meteu a terceira porque na final encontrou um extraterrestre, que "por acaso" também usa a mesma arma: surfar Cloudbreak de frente para a parede da onda. A vitória frente a John John Florence nos quartos-de-final, com imensa pressão nos ombros, é digna de um verdadeiro candidato ao título.

 

- Kelly Slater deu um ar da sua graça, para alegria de todos os fãs. Ainda não foi desta que quebrou o jejum e voltou às vitórias, mas deu uma grande lição de surf. E até foi mesmo ele a protagonizar os melhores momentos deste dia final, conseguindo uma nota perto da perfeição nos quartos-de-final frente a Wiggolly Dantas. Mas depois veio Medina e uma batalha tática, onde já não houve truques na manga. Ainda assim, fica o registo do regresso às meias-finais de uma etapa quase um ano depois – a última vez foi em J-Bay no ano passado. Um resultado que, por mais incrível que pareça, ainda não permite entrar em lugares de qualificação...

 

- Ace Buchan merece a distinção de surpresa do evento. O australiano pode ter conquistado em Cloudbreak a vaga no Tour por mais um ano, provando ser um dos melhores competidores nestas esquerdas pesadas que compõe a "perna Pacífico". Por momentos vimos Ace a repetir o histórico triunfo em Teahupoo e a ficar perto de completar o equivalente ao Grand Slam de carreira – faltava "só" depois vencer em Pipeline.

 

- O Tour vai agora para J-Bay, naquela que e a etapa central do ano. A liderança de Wilko não merece contestação, até porque faz uma final onde muitos achavam que ia ser o seu calcanhar de aquiles. Agora, imaginem aquele backside a funcionar nas direitas sul-africanas... Vai ser mesmo difícil roubar a amarela ao australiano. Até porque em Jeffreys apenas Medina e John John terão possibilidades matemáticas de o fazer. Mas basta a Wilkinson avançar uma ronda para se manter no topo.

 

- Feitas as contas após Cloudbreak, começamos finalmente a encontrar alguma lógica no ranking e a perceber quem são os candidatos ao título. E a questão deverá passar apenas por três nomes: Wilko, Medina e John John. Adriano e Italo ainda podem ser vistos como outsiders, mas a distância já é superior a 12 mil pontos. Terão de ser quase perfeitos até final e esperar muitos deslizes. Seabass, Ace Buchan, Caio Ibelli e Michel Bourez não parecem, de todo, capazes. E se olharmos para Jordy, no 10.º posto, vemos que o sul-africano tem menos de metade dos pontos de Wilko...

 

- Mas também dá para olhar para a parte de baixo da tabela e ficarmos surpreendidos com o facto de Josh Kerr e Jeremy Flores estarem no 27.º e 30.º postos, respetivamente. A vida está complicada para dois surfistas que serão sempre uma mais-valia no Tour. O mesmo não se pode dizer de outros surfistas como Keanu Asing e Alex Ribeiro que, apesar de terem feito todas as etapas, conseguem estar atrás de Mason Ho (1 etapa). Só um milagre fará com que continuem no Tour. E esperemos que ele não aconteça...

 

Fiji Pro Final Results:
1 - Gabriel Medina (BRA) 15.60
2 -  Matt Wilkinson (AUS) 6.34

 

Fiji Pro Semifinal Results:
SF 1: Gabriel Medina (BRA) 14.67 def. Kelly Slater (USA) 12.03
SF 2: Matt Wilkinson (AUS) 13.33 def. Adrian Buchan (AUS) 12.00

 

Fiji Pro Quarterfinal Results:
QF 1: Gabriel Medina (BRA) 10.86 def. Adriano de Souza (BRA) 8.83
QF 2: Kelly Slater (USA) 18.70 def. Wiggolly Dantas (BRA) 9.40
QF 3: Adrian Buchan (AUS) 14.60 def. Mick Fanning (AUS) 13.40
QF 4: Matt Wilkinson (AUS) 14.63 def. John John Florence (HAW) 10.93

 

WSL Jeep Leaderboard Top 5 (after Fiji Pro):
1. Matt Wilkinson (AUS) 32,500 pts
2. Gabriel Medina (BRA) 24,000 pts
3. John John Florence (HAW) 23,900 pts
4. Italo Ferreira (BRA) 20,500 pts

5. Adriano de Souza (BRA) 20,400 pts



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