Frederico Morais conquista o Martinique Surf Pro e estreia-se a vencer no WQS

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Vasco Ribeiro e Nuno Telmo carregaram Kikas em ombros. Foto: WSL


Frederico Morais conquistou este domingo o primeiro triunfo da carreira no WQS, aos 24 anos. Apesar dos muitos feitos já conseguidos na sua ainda jovem carreira, apenas agora Kikas conseguiu chegar ao lugar mais alto de um pódio a nível internacional. Tudo aconteceu no Caribe, onde o campeão nacional venceu o Martinique Surf Pro.

 

Frederico culminou em cheio uma semana bastante positivas para o surf nacional. Para além deste triunfo numa final digna de Liga Moche, onde bateu o galego Gony Zubizarreta, a armada lusa conseguiu ainda um 5.º lugar, por intermédio de Vasco Ribeiro. O "carrasco" de Vasco foi mesmo Kikas, que esteve imparável ao longo do dia final, não dando qualquer hipótese a quem se atravessou no seu caminho.

 

Com as condições a melhorarem a olhos vistos, a direita de Basse Point, na Martinica, apresentou ondas acima do metro, que foram o palco ideal para Frederico Morais mostrar toda a sua potência de rail, num dia marcado por grandes performances. As suas fortes rasgadas de frontside acabaram por ser letais, contribuindo decisivamente para um triunfo avassalador e sobre o qual não se coloca qualquer questão.

 

Mesmo tratando-se somente de um QS3000, este foi um campeonato marcado pela qualidade dos surfistas presentes. Um campeonato de estatuto menor, mas com ondas ao nível das melhores que se veem no circuito e com uma concorrência bastante elevada. Algo que dá ainda mais valor ao triunfo do campeão nacional em Basse Point.

 

"Já esperava por isto há muito tempo e é o melhor sentimento de sempre", começou por dizer o surfista do Guincho, após garantir o primeiro triunfo da carreira no WQS. "O segredo hoje foi estar relaxado e desfrutar de algumas das melhores ondas que eu alguma vez vi no WQS. Este spot é incrível, pois podes dar aéreos, fazer turns ou grandes carves. Não podes pedir mais que isso para um campeonato. É bastante motivador para me manter focado a trabalhar forte e espero conseguir manter este momento", frisou Kikas, que a seguir à Martinica irá entrar num QS6000 no Japão.

 

 

Reencontros no Caribe

 

Ao longo dos últimos anos muitas vezes se diz que a Liga Moche é o campo de treino ideal para o WQS e que o nível começa a ser cada vez mais parecido. A prova disso esteve neste Martinique Surf Pro. Pelo menos, Frederico beneficiou de competir regularmente frente a alguns dos adversários que encontrou pelo caminho. Curiosamente, na última etapa, na Costa de Caparica, Kikas havia batido também Vasco nos quartos-de-final e Gony Zubizarreta na final. Uma história de reencontros.

 

Mas o dia começou com uma exibição consistente na 6.ª ronda. Um score de 15,86 pontos valeu o triunfo no heat 4, deixando o australiano Luke Hynd no 2.º posto, com 12,93 pontos, e eliminado os norte-americanos Evan Geiselman (8,04) e Pat Gudauskas (7,70). Nos quartos-de-final marcou assim encontrou com Vasco Ribeiro, que no heta anterior também havia garantido a qualificação para a fase seguinte. Num heat vencido pelo sul-africano Slade Prestwich, com 14 pontos, ao português chegaram apenas 11,84 pontos, deixando o peruano Luca Mesinas e o basco Aritz Aranburu pelo caminho.

 

Enquanto do outro lado do draw o brasileiro Deivid Silva começava a dar espetáculo e Gony mantinha um percurso consistente, já se sabia que nos quartos-de-final um dos portugueses iria ficar pelo caminho. E Kikas fez questão de mostrar que ele não queria ser o derrotado. Num dos melhores heats do campeonato, Frederico Morais alcançou um score de 18,17 pontos (8,67 e 9,50) e deixou o compatriota em combinação, mesmo tendo feito uma boa bateria, que terminou com 14,87 pontos.

 

0f3bc66dd4fb1fbf39722d1598c6df2fAqui está explicada a forma como Kikas dominou o último dia do campeonato. Power à portuguesa! Foto: WSL

 

Nas meias-finais o campeão nacional reencontrou o jovem australiano Luke Hynda e deu-lhe poucas facilidades, vencendo a bateria com 16,67 pontos e mais uma nota na casa da excelência (9,17), contra 14,57 do adversário. Isto já depois de Gony Zubizarreta ter conseguido superiorizar-se a Deivid Silva num duelo emocionante que terminou com uma diferença de apenas 0,04 pontos a favor do espanhol.

 

Na final nada de surpresas. Kikas manteve a toada, começando com uma onda de 7,73 pontos. Juntou-lhe um 8,93 e conseguiu logo aí o score final de 16,66 pontos. O máximo que Gony conseguiu foi entrar na luta, somando 14,30 pontos. Mas o requisito para este operar a reviravolta já era bem alto e o triunfo não escaparia ao português. Foram quatro heats de domínio absoluto ao longo do dia final, que resultaram numa vitória tremenda e bastante prestigiante para o surf nacional.

 

Com esta conquista Frederico Morais amealha uns importantíssimos 3 mil pontos para o ranking do WQS, que lhe irão valer uma ascensão para top 20 mundial, e ainda 16 mil dólares em prémio. Depois de um arranque de ano tremido, este é um excelente resultado para dar motivação e deixar Kikas bem posicionado antes do primeiro QS10000 da temporada. Já Vasco Ribeiro conquistou 1.260 pontos para o ranking e ainda 2.500 dólares em prémio.

 

Terminou assim em festa um dia que foi marcante para o surf nacional, com a forte imagem de Vasco Ribeiro a abraçar e carregar em ombros o amigo e muitas vezes rival dentro de água. Após um começo tremido e com muitas eliminações de primeira dos mais jovens, coube aos mais rodados no WQS brilharem ao longo dos últimos dias nas ondas de uma ilha que, apesar de se situar no Caribe, pertence a França. Esta foi a prova de que a presença em provas menores por vezes pode ser benéfica.

 

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