Em risco de ser cortado do Tour: Surfistas dão a última oportunidade ao Rio de Janeiro

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Esperemos que no próximos mês o Rio ofereça condições destas. Foto: WSL/Smorigo

 

A poluição das praias do rio de Janeiro tem dado muito que falar ao longo dos últimos anos e os melhores surfistas do Mundo parece estar a perder a paciência com a situação. Até porque ondas de qualidade é coisa que também não se tem visto na etapa brasileira. Dessa forma, 2016 vai ser um ano decisivo para a continuidade desta paragem no World Tour.

 

Caso aconteça o mesmo que no ano passado, com ondas medianas e surfistas a ficarem doentes depois de terem entrado nas águas poluídas, serão os próprios surfistas a pedirem à WSL para a etapa sair do calendário do circuito mundial. Quem o garante é Adrian Buchan, representante dos surfistas do Tour, em declarações à revista australiana Stab.

 

"Penso que todos sabem que se tivermos mais um ano no Rio com ondas medianas e pessoas a ficarem doentes, provavelmente o evento não se realizará mais no futuro", frisou Ace. "Não é preciso ser um cientista para se ter noção disso. Não temos apanhado ondas boas por lá, por isso, se é para competir em ondas fracas e com os surfistas a ficarem doentes, mais vale procurar outras paragens", realçou o surfista australiano.

 

A situação já se arrasta há alguns anos, mas foi no ano passado que atingiu o pior cenário. Dimity Stoyle foi das poucas surfistas a queixar-se nas redes sociais, mas segundo Buchan dezenas de surfistas tiveram misteriosas doenças de estômago, que continuaram até dois meses depois do evento. O próprio Ace, juntamente com o atual líder do ranking, Matt Wilkinson, foram dois dos surfistas a ficar com febre.

 

"Algumas pessoas ficaram realmente doentes. Antes do meu heat da 3.ª ronda estava muito tonto e mal conseguia sair da cama".

 

"Algumas pessoas ficaram realmente doentes. Antes do meu heat da 3.ª ronda estava muito tonto e mal conseguia sair da cama. Acabei por surfar mas não estava sequer perto de sentir-me a 100 por cento. Muitos outros surfistas passaram por esta experiência", confessa Ace Buchan, que negou saber de rumores sobre surfistas que estão a pensar não ir ao Rio de Janeiro.

 

Segundo a Stab, existem alguns rumores de surfistas que estão a ponderar faltar ao Oi Rio Pro precisamente por estarem preocupados com a sua saúde. Joel Parkinson e Kelly Slater são dois dos nomes apontados, mas não existe nada de concreto em relação a isso. Os surfistas estiveram mesmo reunidos com a WSL em Margaret River para discutir a ameaça do vírus Zika. Foi-lhes garantido que se essa fosse uma ameaça real o evento iria deslocar-se para um local seguro a 30 minutos do Rio de Janeiro.

 

"Obviamente que este é um evento lucrativo para o Tour, com a quantidade de interesse mostrado pelos media e os inúmeros fãs que marcam presença. Penso que também poderá ter sido azar a situação do ano passado, talvez decido a uma tempestade que tenha deixado as águas sujas. Podes encontrar exemplos disso noutras cidades à volta do Mundo, onde às vezes isso também acontece, como em Bondi, Avoca ou Copacabana, na Austrália", terminou Ace, colocando um pouco de água na fervura.

 

O aviso parece ter sido lançado. As declarações de Adrian Buchan, a cerca de 20 dias do arranque do Oi Rio Pro, são bastante representativas da incerteza que paira nesta altura na cabeça dos melhores surfistas do Mundo. Ao que tudo indica, só mesmo um ano de grandes ondas e sem problemas de saúde para os competidores poderá segurar o Rio no Tour para 2017. Caso contrário, talvez a WSL e os surfistas comecem a procurar soluções. E que tal Noronha?



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