Sebastian Zietz: "Olho para isto mais como umas férias do que como uma competição"

ce158780e86a1d0adeca0080a2a58fc6

Seabass encontra sempre momento para relaxar e desfrutar durante os eventos. Foto: WSL

 

Sebastian Zietz é o homem do momento no World Tour. A surpreendente vitória conquistada em Margaret River, na terceira etapa de 2016, coloca-o na vice-liderança do ranking mundial, superado apenas pela outra história da Cinderela, da autoria de Matt Wilkinson. Mas o feito do havaiano tem ainda mais impacto se tivermos em conta que nem faz parte do top 34 mundial...

 

Seabass caiu do Tour na última temporada. Apesar de todos lhe reconhecerem um enorme talento, o surfista de Maui acusou a pressão e não conseguiu manter-se entre a elite mundial. Aprendeu imenso com esse momento baixo da sua carreira e acabou por beneficiar das muitas lesões dos surfistas do Tour para regressar ao convívio dos grandes. E fê-lo com o maior impacto possível!

 

Agora, a WSL aproveitou o momento de pausa entre a perna australiana e a etapa do Rio de Janeiro para tentar perceber melhor o que vai na cabeça de Zietz, o suplente do Tour que, pelo menos de momento, está bem dentro da luta pelo título mundial. Uma conversa descontraída, onde ficamos por dentro das mudanças na vida de um dos últimos verdadeiros herdeiros do espírito Aloha no Tour.

 

WSL – Qual foi a sensação de teres uma hipótese de redenção como substituto?

 

Sebastian Zietz - Quando recebi a chamada para ir competir em Snappers comecei aos saltos no meu hotel, passei-me. Desde então, tenho mantido a abordagem em todos os eventos. Sei que não faço parte do Tour e vou ter de ganhar o direito de lá estar. As coisas estão a correr bem e estou próximo de o conseguir mesmo pelo CT. Mas sei que a qualquer momento todos podem ficar recuperados e lá se vai a minha vaga de substituto. Não estou a dar nada como garantido e tento apenas fazer o meu melhor. As minhas dietas estão a funcionar melhor, tenho feito mais trabalho de ginásio e estou a começar a ser recompensado por isso.

 

WSL – Sentes mais pressão agora?

 

SZ – Há menos pressão. Sinto-me apenas feliz por estar aqui e por ter sido chamado. Sinto que isto é mais como umas férias do que como uma verdadeira competição. Antes tinha de fazer os dois circuitos e tornava-se cansativo, o que não ajuda a que eu me divertisse. Agora, sinto-me muito agradecido por ir para cada evento. Sair do Tour no ano passado foi muito difícil para mim. É provavelmente nessas alturas em que estás em baixo que aprendes mais sobre ti. Apenas queria regressar em grande e partir a louça no WQS, o que não aconteceu nos primeiros eventos do ano. Mas depois acabei por entrar nos campeonatos do WCT. E estou fascinado por estar de volta ao Dream Tour, nem que seja apenas por um bocadinho.

 

WSL – Tiveste grandes momentos no ano passado, mas faltou-te consistência. Qual é agora a receita?

 

SZ – Perdi um pouco de peso, o que ajuda em muitos aspetos. Não ficas tão castigado se não levares com um grande impacto do teu peso. Agora não fico tão dorido e tenho alongado mais. Porém, o maior segredo até seja apenas mental, por saber que tenho sorte em aqui estar. Estava realmente pronto para atacar o WQS, mas agora estou aqui no WCT. Estou realmente grato por estar rodeado por tantos surfistas de qualidade e quero puxar-lhes os limites e fazer boa figura.

 

WSL – Há muita coisa a acontecer na tua vida fora de água. Isso também te ajuda a estar mais focado?

 

SZ – Abri um ginásio e comecei a construir a minha casa nova na semana passada. São tudo coisas que te ajudam a crescer e a ser um pouco mais maduro. Tenho algo por que lutar e coisas onde é necessário colocar dinheiro. Ter um negócio e ver a minha namorada a tomar conta de tudo tão bem faz-me querer ter realmente grande sucesso. Espero que um dia sejamos milionários e que tenham uma casa bem grande.

 

WSL – Pensas que o foco acabou por mudar a tua personalidade no geral?

 

SZ – Definitivamente, ajudou a que eu crescesse um pouco. Tenho mais momentos de diversão e felicidade, ando mais entusiasmado. Mas ao mesmo tempo tenho mais responsabilidades agora, com o negócio e a casa nova. Este é um bom momento para fazer as coisas bem e penso que é isso que vai acontecer.

 

 

Entretanto, em baixo fica uma das provas do sucesso alcançado por Seabass na West OZ. Chegar mais cedo ao campeonato, passar muitas horas na água e ser o rei de maior parte das sessões de free surf. Algo que já indicava que a surpresas poderia acontecer...



BLOG COMMENTS POWERED BY DISQUS

FOTOGALERIAS