Sebastian Zietz: um problema para a WSL e a oportunidade de mudar as regras

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Atual vice-líder mundial vai estar na próxima etapa. Mas as restantes são uma incógnita. Foto: WSL

 

Sebastian Zietz protagonizou no passado sábado em Margaret River um dos triunfos mais surpreendentes da história da WSL. A participar no Tour de 2016 como substituto, depois de no ano passado ter falhado a requalificação para a elite mundial, o talentoso surfista havaiano colocou a pressão de lado e bateu a concorrência, conquistando o Drug Aware Margaret River Pro. Foi a verdadeira história da Cinderela. Bem mais improvável que as conquistas de Matt Wilkinson nas duas primeiras etapas.

 

Após este triunfo, ao qual se junta um 9.º lugar em Snappers e um 13.º em Bells, Seabass subiu a um notável 2.º posto do ranking. O mesmo que dizer que neste momento temos um substituto do Tour – e nem se trata do primeiro da lista, pois ele é o número 3 – como vice-líder na corrida pelo título. Será então mais correto chamar substituto a Zietz ou candidato ao título?

 

Na realidade, e mesmo que seja algo muito improvável – quase tanto como a liderança isolada de Wilko -, o surfista havaiano está efetivamente na corrida pelo título. Será que irá conseguir manter-se nesta luta até final da temporada? Olhando para o seu histórico parece algo difícil. Mas a verdade é que isso pode até nem depender de Seabass. Sendo substituto, a sua presença nas próximas etapas está dependente de ausências no top 34.

 

Estaríamos assim na presença de um grande problemas para a WSL, caso não fosse o invulgar número de lesões e de baixas ocorridas esta temporada. Para sorte de Zietz e da própria WSL, o atual vice-líder do ranking tem lugar garantido no próximo evento, no Rio de Janeiro. Mas nada garante que este não se venha a tornar mesmo num problema sério para a WSL...

 

Imaginem que Seabass se mantém numa posição real de lutar pelo título e que os surfistas que estão de baixa recuperam todos. Fará sentido deixar de fora alguém que ocupa os lugares cimeiros do ranking e que até já tem uma etapa conquistada? Irá a WSL resgatar um dos wildcards habitualmente atribuídos pelos organizadores ou a surfistas locais para garantir a presença de Sebastian Zietz nos próximos eventos? As dúvidas são muitas.

 

Neste momento existem cinco surfistas lesionados e dois retirados – um deles apenas "semi-retirado". Isso ajuda a tirar alguma pressão à WSL. Enquanto Bede Durbidge, Owen Wright e Jack Freestone, que são os casos mais complexos entre os lesionados, não voltarem à competição irá estar tudo bem. Mas imaginem que o boletim clínico ficava vago nas Fiji... Adam Melling, como primeiro substituto, ocupa o lugar de Taj Burrow – irá às Fiji mas na condição de wildcard – e Stu Kennedy, como segundo substituto, irá no lugar de Mick Fanning, caso este decida não ir. Seabass ficaria de fora.

 

Por que não alterar as leis?

 

Muito pouca gente acreditava na possibilidade de os substitutos se darem tão bem como Seabass e até Stu Kennedy fizeram nesta época. Mas isto traz as consequências em cima explicadas. O que poderia a WSL fazer para que todo o processo de substituição nos campeonatos fosse mais justo? Parece simples. Atualizar o seeding entre os próprios substitutos ao longo da temporada.

 

Na presente época Adam Melling tem o estatuto de primeiro substituto graças ao lugar em que terminou o Tour na temporada passada. Mas já estamos em 2016 e o australiano o máximo que conseguiu fazer foi avançar uma ronda em três campeonatos. Isto ignorando que as sete temporadas em que esteve no Tour fê-lo sempre através de qualificação pelo WQS. Um claro indicador de que lhe falta algo para pertencer definitivamente à elite mundial.

 

Melhor até que Melling está Stu Kennedy. O australiano fez aquele brilharete na etapa inaugural, onde chegou às meias-finais, sendo o atual 12.º classificado do ranking. Números que colocam tanto Stu como Zietz na luta direta e cada vez mais real pela qualificação para o Tour 2017 via WCT - o haviano já está a cerca de 5 mil pontos de o conseguir... Depois deste arranque de temporada alguém duvida que os fãs preferem ver estes dois em ação em vez de Melling? Seguindo o lema da WSL de "os melhores surfistas nas melhores ondas" a resposta é fácil.

 

Ranking substitutosDois substitutos no Top 12 mundial após três etapas. Cenário em que poucos apostariam...

 

A resolução seria fácil. Em vez de deixar a ordem de substituição fixa até ao final da temporada, esta ia atualizando ao longo das etapas consoante os resultados dos mesmos, tendo sempre em conta uma percentagem relativamente ao seeding do ano passado e ao deste ano. Seria mais justo e colocaria em ação os surfistas que realmente estão merecer as vagas e a fazer por empolgar os fãs.

 

Contudo, Adam Melling parece ter tido novamente a sorte de pertencer ao Tour a tempo inteiro. Após o anúncio da retirada de Taj Burrow do Tour, o australiano ficou com a vaga do compatriota. É isso mesmo, Melling é novamente parte da elite mundial. Pelo oitavo ano consecutivo e sem nunca ter mostrado muito para tal, sobretudo no próprio World Tour.

 

Por agora, esta questão dos substitutos ainda não constitui um problema real, mas bastava os lesionados regressarem para o cenário mudar. Seria no mínimo caricato não existir vaga numa etapa para o vice-líder do ranking. No Brasil tudo se mantém como até aqui. Veremos o que acontece depois, nas Fiji, e se as surpresas continuam a acontecer a este ritmo alucinante.



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