Sebastian Zietz faz história e conquista o Drug Aware Margaret River Pro

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Seabass espalha o stoke havaiano por Margaret River. Foto: WSL

 

O espírito Aloha foi até ao Oeste australiano para vencer uma etapa do Tour. Sebastian Zietz foi o campeão improvável, mas simultaneamente justo, do Drug Aware Margaret River Pro. O havaiano escreveu assim mais um capítulo surpreendente na história deste Tour 2016. Seabass conquistou na West OZ a primeira vitória da carreira entre a elite mundial, ele que até já nem pertence a ela, uma vez que está a competir como substituto.

 

Se Stu Kennedy já tinha atingindo um estatuto especial depois das meias-finais alcançadas na etapa inaugural na Gold Coast, imaginem agora Zietz com este triunfo. Alguém se lembra de um suplente vencer uma etapa do Tour? E de um suplente que é vice-líder mundial ao fim de três etapas? Talvez esteja aqui aberto um grande problema para a WSL, caso os surfistas lesionados recuperem – se é que Owen Wright e Bede Durbidge o farão proximamente.

 

A verdade é que nunca se aplicou tão bem o ditado de que "o azar de uns é a sorte de outros". Esta vitória acontece devido à lesão de outros surfistas, mas não apenas com sorte. Também pelo surf dominante e poderoso, sobretudo de rail, que o surfista de Kauai mostrou ao longo de todo o evento. Zietz foi um outsider, mas olhando para os números a frio percebe-se que foi igualmente um dos melhores surfistas do evento.

 

Desde a primeira ronda – que até perdeu – até à final conseguiu protagonizar quatro ondas acima dos 9 pontos. Juntou-lhes ainda mais três na casa da excelência. Contudo, soube gerir o momento e guardar o melhor para o final. Não houve tática em demasia. Houve stoke e, acima de tudo, um surf descomplexado e vibrante. A forma genuína, e ao mesmo tempo incrédula, como Seabass festejou esta conquista resume bem a magnitude do feito.

 

Decidido ao sprint

 

Após a longa maratona de ontem, este sábado a prova decidiu-se em apenas duas horas, sendo que os 40 minutos da final foram os mais intensos e interessantes do dia. Tudo começou com o revés de não irmos até The Box. Ainda assim, o Main Break voltou a mostrar-se um palco eficaz para a ação. Muito offshore e alguns tubos pelo meio foram animando a festa. No entanto, a emoção demorou a entrar em ebulição, chegando apenas no heat decisivo.

 

As meias-finais foram equilibradas mas com pouca história. Joel Parkinson e Julian Wilson protagonizaram uma disputa a ritmo lento. Ambos são surfistas incríveis, mas a ambição do mais novo falou mais alto. Julian foi mais ativo, assertivo e inteligente na forma como geriu o heat e acabou por vencer naturalmente. Pode dizer-se que a onda perdida por Parko na remada, que o rival viria a aproveitar para pontuar alto, definiu o heat. Mas o facto de Jules ter ainda vivo o sonho de chegar onde o campeão mundial de 2012 já chegou também fez a diferença.

 

Na outra meia-final, Italo Ferreira bem tentou colocar em ação o seu poderoso backside, mas era praticamente impossível contrariar o facto de Seabass ter encontrado o ritmo da onda. Com um surf de rail incrível, manobrando a parede da onda em toda a sua extensão, e com a capacidade de fazer scores bem altos com apenas duas manobras, o prego no caixão do brasileiro acabou por vir já no final. Uma onda para os mais jovens verem como nem só com progresso se pode fazer surf espetacular.

 

Chegava a final - a primeira da carreira para Zietz - e Julian Wilson começava os 40 minutos do heat em grande estilo, colocando pressão sobre o havaiano. Mas quem acabou por perder tudo no ano passado já não lida com essa pressão da mesma forma. Seabass respondeu à medida e não demorou muito a fazer estragos com os seus carves estrondosos. Mão na borda da prancha e um 9,10 para animar o duelo. Julian manteve-se na liderança até à última troca de ondas, já bem perto do final. Aí foi um layback espetacular a fazer a diferença para o lado do menos experiente. Zietz estava mesmo imparável e já não haviam dúvidas, repetindo o resultado alcançado na 2.ª ronda de Snapper Rocks. Mas desta vez com bem mais impacto e maior proveito próprio.

 

 

Capuccino

 

A festa começou logo ali na água. Entre alguns beliscões, para perceber se estava a sonhar, e uma calma enervante, Sebastian Zietz falou a Peter Mel, subiu até ao palanque e foi congratulado por quase todos. Aqui e ali soltava um grito por Capuccino e sorria. Talvez fosse apenas uma estranha forma de festejar por não estar habituado ao momento. Foi o que saiu. É normal que um suplente do Tour não ensaie os festejos de algo que parece tão improvável de acontecer. Mas também mostrou muito do espírito Aloha. Apesar de ser o momento alto da sua carreira competitiva, Seabass sabe melhor que ninguém que continua a ser... um suplente.

 

"Estou deliciado", começou por dizer Seabass. "A pressão estava lá, arrisquei a última manobra já na parte branca da onda e consegui. Vencer uma etapa era um objetivo meu há muito tempo. É algo épico vencer um evento do WCT frente aos melhores surfistas do Mundo. Cair do Tour no ano passado fez-me sentir um paparuco. Por isso fui para casa e tentei apanhar muitas ondas para recuperar o ritmo. Estava motivado para chegar ao WQS e conseguir qualificar-me de novo para o Tour", frisou.

 

Este ano, nem tanto pelos resultados finais mas pelo surf já demonstrado, já havíamos escrito que o exemplo de Seabass é dos mais gritantes. O talentoso surfista do Kauai tem tudo para fazer parte do Tour. Muito mais do que um bom punhado de competidores que dele fazem parte. Esta vitória é mais uma prova efetiva de que a afirmação não é exagerada. Sem a pressão dos resultados e já sem nada a perder, Zietz conseguiu revelar-se e mostrar algumas das performances mais entusiasmantes do ano. Em três etapas apenas já conseguiu quase tantos pontos como nas 11 etapas disputadas no ano passado.

 

Agora, o circo segue para o Rio de Janeiro. Os beach breaks cariocas vão ser palco de mais um capítulo de um circuito até agora marcado, sobretudo, pela surpresa. Depois de três etapas onde as direitas reinaram é possível que o paradigma comece a mudar. Talvez Seabass até nem consiga manter o ritmo. Contudo, se olharmos para o ranking, vemos que apenas o havaiano e Italo Ferreira, que é 3.º classificado e chega ao Brasil como "líder" da brazilian storm, têm hipóteses matemáticas de destronar Wilko da liderança já na próxima etapa. Isto se o goofy australiano não avançar mais que duas rondas... Este Tour não está mesmo para previsões!

 

Drug Aware Margaret River Pro Men’s Final Results:
1 -
Sebastian Zietz (HAW) 17.40
2 - Julian Wilson (AUS) 16.67


Drug Aware Margaret River Pro Men’s Semifinal Results:

SF 1: Julian Wilson (AUS) 16.60 def. Joel Parkinson (AUS) 15.50
SF 2: Sebastian Zietz (HAW) 16.27 def. Italo Ferreira (BRA) 13.17

 

2016 Samsung Galaxy WSL Top 5 (after Drug Aware Margaret River Pro):
1. Matt Wilkinson (AUS)  24,000 pts
2. Sebastian Zietz (HAW) 15,750 pts
3. Italo Ferreira (BRA) 14,750 pts
4. Kolohe Andino (USA) 13,700 pts
5. Joel Parkinson (AUS) 13,450 pts



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