Tyler Wright conquista o Drug Aware Margaret River Pro; Wilko perde invencibilidade

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Tyler alcançou a segunda vitória do ano graças a um surf poderoso. Foto: WSL

 

Margaret River assistiu esta sexta-feira a um dos dias mais longos e intensos de competição do Tour 2016. Foram 10 horas seguidas de ação, divididas entre a prova masculina e feminina e onde se assistiu à coroação de Tyler Wright como campeã desta terceira paragem do circuito e também a um travão na surpreendente corrida de sonho de Matt Wilkinson pela liderança do ranking mundial.

 

O offshore voltou a marcar presença no Main Break e os melhores surfistas do Mundo tiveram condições mesmo à Oeste australiano pela frente. Entre carves bem afiados, batidas destemidas nos lips bem pesados e alguns tubos que surgiram, viu-se surf de bom nível. Contudo, com exceção das mulheres e de um renovado Julian Wilson, parece ter ficado a sensação de ter faltado um pouco de sal. Talvez também pela cada vez mais notória falta de nomes sonantes entre as rondas finais.

 

Em Margaret River as surpresas já não foram tantas na primeira fase do evento, mas, ainda assim, são muitos os "outsiders" presentes na fase final. Novamente, substitutos, rookies e wildcards a brilhar. Desta vez, houve de tudo nos quartos-de-final, embora apenas o substituto, neste caso Sebastian Zietz, tenham avançado até às meias-finais. Apenas Julian Wilson e Joel Parkinson escaparam à razia dos verdadeiros candidatos ao título, que tardam cada vez mais em assumirem-se. Prevê-se um ano bem atípico.

 

Dupla explosiva

 

Quando começou a temporada de 2016 poucos previam que nesta altura já existissem duas surfistas descoladas do resto da concorrência. Aliás, muitos previam isso, mas com nomes diferentes. A temporada de 2016 parecia ser marcada por uma intensa luta entre Carissa Moore e Stephanie Gilmore. Mas estávamos quase todos enganados. Courtney Conlogue e Tyler Wright assumiram as posições de destaque e não têm dado qualquer hipótese à concorrência. O título parece que não vai fugir a uma delas.

 

Tyler repetiu a proeza de Snappers e venceu em Margaret de uma forma contundente. Aplicando os seus carves típicos, a australiana foi limpando a concorrência de forma impressionante. Voltou a ganhar um duelo a Stephanie e nas meias-finais bateu Carissa. Na final impôs-se a Conlogue, com direito a tubo e tudo, após uma exibição sublime. Mas é a norte-americana quem permanece na liderança. Tem três finais em três eventos e, apesar de só ter vencido uma delas, parece apresentar uma maior regularidade e facilidade de adaptação às condições que Tyler Wright. Veremos como será a luta nos beachbreaks do Rio.

 

Nota ainda para Carissa. Perdeu numa disputa muito equilibrada com Tyler, onde até começou melhor. Terminou no 3.º posto pela terceira vez consecutiva e parece começar a perder o comboio da frente. Mas na da está perdido para a campeã mundial – ao contrário do que acontece com Steph. Será preciso uma recuperação tremenda e voltar ao seu melhor nível. Moore até está a surfar bem, mas as adversárias estão a surfar mais que isso. No futebol há o hábito de se dizer que os campeonatos se ganham contra os pequenos. No surf, sobretudo no feminino, tem sido o contrário. E é frente às adversárias diretas que a havaiana tem claudicado.

 

Por fim, destaque para as meias-finais alcançadas por Tatiana Weston-Webb. A rookie de 2015 eliminou Sally Fitzgibbons nos quartos-de-final de uma forma limpa e só foi travada pela poderosa Courtney Conlogue nas meias-finais, onde a norte-americana fez o tubo do evento. Tatiana parece ser a "intrusa" do top 5 mundial deste ano, roubando o protagonismo às "outsiders" das últimas épocas, onde se destacavam Bianca Buitendag e Johanne Defay. A havaiana merece, pois tem um dos backsides mais poderosos do WWT. E mostrou-o na West OZ.

 

Deceção

 

Um 9.º lugar é melhor do que um 13.º. Mas não deixa de ser uma deceção para Gabriel Medina. É certo que houve gente a cair antes, mas o brasileiro era considerado o grande favorito ao título e em três etapas ainda nem sequer esteve perto de mostrar o surf que nos fazia pensar nessa possibilidade. O campeão mundial de 2014 não está na sua melhor forma – naquela com que acabou a temporada passada. O cenário estava mesmo ao seu jeito, mas Medina junta algumas quedas pouco habituais a uma má gestão dos heats e das ondas.

 

Primeiro esteve longe da luta num super heat frente a Jordy e Kolohe, vencido pelo norte-americano. Valeu apenas a sua última onda, que nos deu apenas uma lembrança do seu melhor surf. Depois, na 5.ª ronda, foi eliminado por Italo Ferreira, compatriota que está com um ritmo impressionante e que depois disso ainda varreu Kolohe Andino, garantindo a sua vaga nas meias-finais. Italo enfrenta agora Sebastian Zietz, numa luta que promete e de onde saíra o outsider da final.

 

Houve mais um brasileiro em destaque neste campeonato, mesmo que já não esteja em prova. Depois de esbarrar duas vezes consecutivas na 5.ª ronda, Caio Ibelli voltou a mostrar bom surf e desta vez foi Jordy Smith quem esbarrou nele. Para além de ser extremamente competitivo, o rookie brasileiro ainda se mostra destemido na hora de enfrentar os pesos pesados do Tour. John John já provou o seu veneno duas vezes. Hoje foi Jordy.

 

Apesar do ascendente de Conner Coffin no arranque da temporada, não duvidem que Ibelli será o rookie do ano. É o mais consistente, regular e surpreendente. Em Margaret só caiu frente a Seabass, que a cada evento que passa nos deixa a pensar como é possível um talento daqueles não fazer parte do Tour. Felizmente, e depois destas três primeiras etapas parece que isso só vai acontecer este ano. Lembram-se de um substituto se qualificar para o Tour nessa condição? Será este ano! E veremos onde irá parar o havaiano neste campeonato...

 

Acordar do sonho

 

Quando a ação começou, Matt Wilkinson teve pela frente um duro embate com dois compatriotas. Talvez dois dos mais fortes competidores ainda em prova. Foi uma batalha bem equilibrada, que Wilko apenas perdeu mesmo no final e por uma questão de centésimos. Poderia até haver dúvidas quanto ao resultado final, mas ficava a noção de que a sensação de 2016 estava para continuar. Cair na repescagem era apenas um acidente de percurso.

 

O problema é que na 5.ª ronda, Wilko desorientou-se. Talvez acusando o peso da pressão da liderança, o goofy australiano foi atropelado pelas patadas de backside do também goofy Nat Young. Estava assim na hora de acordar. O conto de fadas tinha chegado ao fim. Ou pelo menos levou um travão, uma vez que a liderança ainda está bem na posse de Wilko. Quanto a Nat Young ficou-se só mesmo pela missão de travar o líder, pois nos quartos-de-final foi a vez dele ser travado por Joel Parkinson.

 

Agora o maior beneficiado desta constante montanha russa de sensações que tem sido o arranque de temporada pode ser mesmo Joel Parkinson. Mas o campeão mundial de 2012 terá de conseguir superar Julian Wilson, que tem aqui uma excelente oportunidade de recuperar. Após um arranque de temporada adormecido, um triunfo na West OZ recolocaria Jules na linha da frente da luta pelo título. Até porque isto está longe de estar definido em relação a candidatos. Mas muita coisa pode ficar definida a partir deste duelo aussie. Quem o vencer, caso consiga fazer o mesmo na final, pode partir aqui para uma temporada diferente.

 

A nota final vai para Leo Fioravanti, a maior surpresa deste campeonato. Primeiro eliminou Slater, depois o campeão mundial Adriano de Souza. Esta sexta-feira começou o dia a vencer um renhida heat frente a Ace Buchan e Nat Young, avançando diretamente para os quartos-de-final. Até começaria melhor o embate frente a Julian Wilson, mas acabaria vencido por aquele que tem sido o surfista do campeonato.

 

Julian esteve elétrico ao longo do dia, começando por limpar Ace e depois terminando o serviço com uma performance imaculada frente ao jovem italiano. Somou 18,17 pontos e ainda descartou duas notas acima de 8 pontos. Alguém o vai parar nas duas horas de prova que faltam? A resposta vem esta madrugada – manhã de sábado na Austrália. Desta vez, não teremos uma maratona pela frente, pois será tudo decidido ao sprint. Até porque há uma forte possibilidade de o dia final ser em The Box. Venha de lá o suspense!

 

Drug Aware Margaret River Pro Women’s Final Results:
1 -
Tyler Wright (AUS) 18.67
2 - Courtney Conlogue (USA) 14.70

 

Drug Aware Margaret River Pro Women’s Semifinal Results:
SF 1:
Courtney Conlogue (USA) 17.44 def. Tatiana Weston-Webb (HAW) 12.17  
SF 2: Tyler Wright (AUS) 15.07 def. Carissa Moore (HAW) 14.07

 

Drug Aware Margaret River Pro Women’s Quarterfinal Results:
QF 1:
Tatiana Weston-Webb (HAW) 15.00 def. Sally Fitzgibbons (AUS) 7.20
QF 2: Courtney Conlogue (USA) 17.33 def. Laura Enever (AUS) 6.67
QF 3: Carissa Moore (HAW) 14.57 def. Bianca Buitendag (ZAF) 6.40
QF 4: Tyler Wright (AUS) 16.53 def. Stephanie Gilmore (AUS) 8.74

 

2016 Samsung Galaxy WSL Top 5 (After Drug Aware Margaret River Pro):
1. Courtney Conlogue (USA) 26,000 pts 
2. Tyler Wright (AUS) 25,200 pts
3. Carissa Moore (HAW) 19,500 pts
4. Tatiana Weston-Webb (HAW) 18,200 pts
5. Stephanie Gilmore (AUS) 15,600

 

Drug Aware Margaret River Pro Men’s Round 4 Results:
Heat 1:
Joel Parkinson (AUS) 13.10, Matt Wilkinson (AUS) 12.93, Julian Wilson (AUS) 12.43
Heat 2: Leonardo Fioravanti (ITA) 11.97, Adrian Buchan (AUS) 11.87, Nat Young (USA) 11.60
Heat 3: Kolohe Andino (USA) 14.20, Gabriel Medina (BRA) 12.00, Jordy Smith (ZAF) 12.00
Heat 4: Sebastian Zietz (HAW) 14.17, Caio Ibelli (BRA) 12.57, Italo Ferreira (BRA) 12.56

 

Drug Aware Margaret River Pro Men’s Round 5 Results:
Heat 1:
Nat Young (USA) 16.37 def. Matt Wilkinson (AUS) 8.83
Heat 2: Julian Wilson (AUS) 14.17 def. Adrian Buchan (AUS) 10.26
Heat 3: Italo Ferreira (BRA) 15.93 def. Gabriel Medina (BRA) 13.17
Heat 4: Caio Ibelli (BRA) 13.03 def. Jordy Smith (ZAF) 10.83

 

Drug Aware Margaret River Pro Men’s Quarterfinal Results:
QF 1:
Joel Parkinson (AUS) 15.83 def. Nat Young (USA) 14.24
QF 2: Julian Wilson (AUS) 18.17 def. Leonardo Fioravanti (ITA) 13.10
QF 3: Italo Ferreira (BRA) 17.96 def. Kolohe Andino (USA) 12.50
QF 4: Sebastian Zietz (HAW) 12.50 def. Caio Ibelli (BRA) 9.93

 

Drug Aware Margaret River Pro Men’s Semifinal Match-Ups:
SF 1:
Joel Parkinson (AUS) vs. Julian Wilson (AUS)
SF 2: Italo Ferreira (BRA) vs. Sebastian Zietz (HAW)

 



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