Matt Wilkinson conquista o Rip Curl Pro Bells Beach e soma o segundo triunfo seguido

9d39fcd74c0a52deea77fc15f9fb8161

O público já se rendeu a Wilko, que vai continuar de amarelo, pelo menos, até ao Rio. Foto: WSL


Não, já não é dia 1 de abril. E também não estás a sonhar. Matt Wilkinson, esse mesmo que venceu de forma surpreendente a prova inaugural do World Tour 2016, em Snapper Rocks, não demorou muito a repetir a gracinha. O goofy australiano dizimou a concorrência com o seu imparável e poderoso surf de backside e venceu o Rip Curl Pro Bells Beach.

 

Foi o segundo triunfo de Wilko num espaço de um mês, o que o coloca destacadíssimo na liderança do ranking mundial. Tem 20 mil pontos conquistados em 20 mil possíveis e, mais impressionante que isso, soma mais do dobro dos pontos do 2.º classificado, o também surpreendente rookie Conner Coffin. Isto revela bem a inoperância dos principais favoritos neste arranque de temporada, mas também o equilíbrio de forças cada vez mais presente no Tour.

 

Desde 2009 que um surfista não começava a temporada com dois triunfos consecutivos. Nesse ano Joel Parkinson também venceu em Snappers e Bells, mas acabou por ser superado na parte final da época por Mick Fanning. Se mesmo depois do triunfo na etapa inaugural muita gente ainda não olhava para Wilko como um candidato ao título, agora a realidade é diferente. Até porque os números não permitem pensar noutro cenário.

 

Matt Wilkinson começou o dia final a vencer Wiggolly Dantas mesmo no último minuto, valendo-lhe uma onda apanhada já em cima da buzina. A partir daí embalou e ninguém mais o apanhou. Nas meias-finais venceu mais um duelo de goofys frente a um surfista brasileiro, superando os 17 pontos e não dando qualquer hipótese a Italo Ferreira. Já na final voltou a alcançar um score acima de 17 pontos e serviu uma combinação a Jordy Smith.

 

Não havia nada a fazer. Em dois eventos ainda ninguém conseguiu travar Wilko. Aos 27 anos, o irreverente surfista australiano está no melhor momento da carreira. Às duas vitórias no Tour soma ainda mais uma num evento QS6000. Uma mudança de mentalidade e treino estarão na base deste volte face na carreira de um surfista que, ano após ano, nunca conseguiu mais que lutar para não cair do Tour, onde chegou em 2010.

 

"Passei a vida a tentar ganhar tudo e mais alguma coisa em todos os lugares e nunca consegui", começou por dizer Wilkinson após o triunfo. "Contudo, este ano parece que estou a colecionar uns quantos troféus. Sempre sonhei em vencer em Bells e finalmente tive a minha oportunidade", afirmou o australiano, que se tornou no primeiro goofy a tocar o sino mais desejado do surf mundial desde Mark Occhilupo em 1998. Já lá iam 17 anos...

 

O público na praia já se rendeu ao camisola amarela de 2016, ele que não tem qualquer problema em revelar o segredo deste momento de forma. "Se evoluíres apenas 10 por cento em 10 diferentes áreas do teu surf, estás a ficar 100 por cento melhor. Estou com pranchas boas, sinto-me em forma, que o meu surf está bom e estou a tomar decisões mais inteligentes, assim como mantenho-me calmo nos momentos mais complicados. Vou apenas tentar continuar a fazer o mesmo, tentando não cometer erros e dando tudo o que tenho em cada onda que apanho", assegurou Wilko, que vive um verdadeiro conto de fadas.

 

O regresso de Jordy e o adeus de Mick

 

Com o mar a apresentar-se bem grande, mas longe de estar fácil e da perfeição do dia em que Courtney Conlogue conquistou a prova feminina, ao longo deste último dia assistiu-se a grande duelos e outras tantas performances dignas de registo. Duelos que poderiam ter ficado na memória futuro, não fosse uma nova e impensável vitória de Matt Wilkinson ter abafado tudo o resto.

 

Tudo começou com os dois heats em falta da 5.ª ronda. Mick Fanning não teve quaisquer dificuldades em bater o desorientado rookie Davey Cathels. Já Jordy Smith teve de sofrer bastante para superar o agressivo rookie Caio Ibelli. Só uma onda já bem perto do final permitiu ao sul-africano dar a volta a uma situação adversa. Ambos seguiam para os quartos-de-final e mal sabiam que ainda se iriam enfrentar.

 

Na primeira metade do draw, Italo Ferreira conseguiu garantir a primeira vaga dos quartos-de-final, batendo facilmente Nat Young. Wilkinson, como já dissemos, beneficiou de um buzzer beater para ultrapassar Wiggolly Dantas. Tal como havia feito em Snapper Rocks, o goofy australiano voltava a beneficiar de reviravoltas no último minuto. Nas meias-finais nem viria a precisar disso, pois já estava embalado, vencendo Italo com bastante clarividência, deixando o brasileiro em combinação.

 

Mas era na segunda metade do draw que estava todo o interesse. Fanning e Conner Coffin ofereceram um dos grandes duelos do campeonato. O australiano ganhou graças à sua experiência, mas ficou a ideia de que com um lineup mais clean, Coffin teria repetido o grande triunfo da 4.ª ronda. Foram apenas 0,73 centésimos de diferença, mas o rookie californiano não conseguiu interromper mais cedo a carreira do tricampeão mundial. Ainda assim, este foi um resultado que permitiu a Coffin sair de Bells como vice-líder mundial.

 

No heat seguinte Jordy Smith voltou a ter de suar bastante para superar Michel Bourez. O power do taitiano ainda assustou, mas o grande começo do gigante sul-africano valeu-lhe o encontro marcado com Mick Fanning nas meias-finais. Um duelo que gerou bastantes expectativas. Com linhas bem desenhadas e seguras, Jordy estava bem conectado com o mar, acabando por colocar Fanno em grande dificuldades.

 

O australiano ia assim de férias mais cedo, deixando-nos agora a suspirar para perceber em que etapa o veremos de regresso. Por outro lado, foi bom ver que Jordy Smith está de regresso à sua melhor forma. Apesar da derrota de primeira em Snappers, o sul-africano é já 3.º classificado do ranking. A par de Kolohe Andino, que fez precisamente o trajeto inverso. O Tour está de pantanas. Esqueçam a palavra candidato. Os verdadeiros parecem não conseguir assumir. E pelo que temos visto este ano, qualquer surfista o parece ser.

 

A grande final começava com o público rendido a Wilko. Jordy ia para o seu quarto heat em outras tantas horas. Tendo em conta o mar pesado e difícil, na casa dos 2/3 metros, é bem provável que Jordy Smith tenha acusado o cansaço. Já o australiano continuou a bater bem vertical, mostrando uma confiança ímpar e aguentado as finalizações das ondas como poucos o conseguiram fazer. A meio do heat o sul-africano já estava em combinação e assim ficou até final. A festa começava ainda na água. Matt Wilkinson voltava ao lugar mais alto do pódio. Não, não estás a sonhar acordado. Mas é bem provável que Wilko esteja.

 

Contudo, vai ter de acordar. Até porque falta menos de uma semana para começar a terceira etapa em Margaret River. É certo que ninguém lhe poderá roubar a liderança na etapa que fecha a perna australiana. A vantagem para o segundo é tão grande que permite isso. Wilkinson pode dar-se ao luxo de falhar. Mas quanto mais regular continuar, mais perto irá estar de continuar a ser um efetivo candidato ao título mundial. Mas, desta vez, o cenário é diferente. Não estamos a falar apenas de direitas onde pode encaixar o seu backside. Margaret pode oferecer tudo. Até um slab tubular. Será, certamente, um verdadeiro teste ao momento de Wilko. Contudo, ele já nos preparou para qualquer tipo de surpresa neste Tour.

 

Rip Curl Pro Bells Beach Final Results:
1 -
Matt Wilkinson (AUS) 17.37
2 - Jordy Smith (ZAF) 14.16

 

Rip Curl Pro Bells Beach Semifinal Results:
SF 1:
Matt Wilkinson (AUS) 17.27 def. Italo Ferreira (BRA) 12.40
SF 2: Jordy Smith (ZAF) 17.17 def. Mick Fanning (AUS) 13.90

 

Rip Curl Pro Bells Beach Quarterfinal Results:
QF 1:
Italo Ferreira (BRA) 15.30 def. Nat Young (USA) 12.33
QF 2: Matt Wilkinson (AUS) 13.26 def. Wiggolly Dantas (BRA) 12.00  
QF 3: Mick Fanning (AUS) 16.90 def. Conner Coffin (USA) 16.17
QF 4: Jordy Smith (ZAF) 17.77 def. Michel Bourez (PYF) 17.26

 

Rip Curl Pro Bells Beach Remaining Round 5 Results:
Heat 3:
Mick Fanning (AUS) 14.50 def. Davey Cathels (AUS) 6.33
Heat 4: Jordy Smith (ZAF) 16.80 def. Caio Ibelli (BRA) 16.33

 

2016 Samsung Galaxy WSL Top 5 (after Rip Curl Pro Bells Beach):
1.
Matt Wilkinson (AUS) 20,000 pts
2. Conner Coffin (USA) 9,200 pts
3. Jordy Smith (ZAF) 8,500 pts
3. Kolohe Andino (USA) 8,500 pts
5. Mick Fanning (AUS) 8,250 pts
5. Italo Ferreira (BRA) 8,250 pts
5. Stuart Kennedy (AUS) 8,250 pts

 



BLOG COMMENTS POWERED BY DISQUS

FOTOGALERIAS