Jordy Smith colocou em causa a carreira em 2015: "Estava num sítio escuro"

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Que Jordy continue a abusar destes snap laybacks por muito tempo. Foto: WSL


Longe vai o ano de 2010, quando um jovem e super talentoso Jordy Smith discutiu o título mundial com Kelly Slater, acabando por sagrar-se vice-campeão do Mundo. Desde então, o gigante sul-africano emergiu ao patamar de uma das maiores estrelas do surf mundial, sendo um dos surfistas mais evoluídos tecnicamente, mas nunca mais conseguindo regressar aos bons resultados na competição.

 

Apesar de ter sido sempre apontado como um futuro campeão mundial, Jordy já leva 27 primaveras e esse objetivo parece cada vez mais longe. Sobretudo, depois de um ano de 2015 aquém do esperado. Muito por culpa das lesões que o atormentaram ao longo da época. De regresso à sua melhor forma em Snappers, Jordy Smith revelou que passou por momentos bem delicados no ano passado, chegando mesmo a ponderar o seu futuro no surf.

 

"Estava num sítio ecuro", admitiu o sul-africano à WSL. A forma como a situação evoluiu foi bastante dura e, principalmente, azarada. Tudo começou em Margaret River, no Oeste australiana. Muito se recordarão de um vídeo surreal, onde Jordy apanha um tubaço em North Point e de seguida dá o maior aéreo da sua vida. A realidade é que teve pouco tempo para saborear o feito, pois na sessão seguinte cortou-se e ficou com um golpe no calcanhar.

 

Foi o início de um longo calvário. No Brasil lesionou-se no joelho e foi obrigado a falhar a etapa das Fiji. De seguida o circuito rumava a J-Bay, onde Jordy Smith compete em casa. Foi lá que garantiu duas das quatro vitórias que tem em etapas do CT e tentou dar o máximo para recuperar a tempo do evento. "Com a pressa de regressar à competição acabei por me lesionar nas costas", lembra.

 

Ainda assim, Jordy forçou a sua presença em Jeffreys. Mas era um surfista bem longe do seu melhor. Foi eliminado na 2.ª ronda e piorou a lesão nas costas. "Foi mau. As costas ficaram piores e o meu ano estava terminado ali", conta. Jordy Smith enfrentou então uma longa paragem e só viria a regressar à competição no Havai, competindo nas provas da Triples Crown.

 

Mas durante a recuperação começou a imaginar a sua vida fora do surf. "Estava a fazer reabilitação no duro, trabalhando cerca de 8 horas por dia. Contudo, não estava a ver resultados. Foi a primeira vez que comecei a olhar para outros caminhos fora do surf", explica Jordy sobre aqueles dias em que o desanimo se apoderou dele, antes de classificar essa fase como "um dos maiores 'abre olhos' que tive".

 

Felizmente, Jordy parece estar recuperado. A estrela sul-africana salienta o papel da esposa em todo este processo e também fala sobre os benefícios de viver em San Clemente, na Califórnia. Um sítio central onde pode voar direto para quase todas as paragens do Tour, ao contrário do que acontecia quando vivia na África do Sul, quando as inúmeras escalas e horas de voo "deixavam o corpo em modo Quasimodo".

 

Jordy frisa ainda que o facto de ter uma estatura alta o obriga a ter ainda mais cuidados que os restantes surfistas, uma vez que o "surf atual é muito mais duro para o corpo". Mais descontraído em relação a uma eventual candidatura ao título, ao contrário do que acontecia em anos anteriores, Smith defende que "convém ganhar uma etapa de tempos a tempos" e termina garantindo que, agora, depois de superar as adversidades, se vê a competir no Tour até aos 40 anos.



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