Pros lutaram pela "sobrevivência" em Supertubos e quem ganhou foi a mãe natureza

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Zeke Lau mostrou que os tem no sítio e protagonizou o drop do ano em Supertubos. Foto: WSL/Masurel

 

Esperava-se um dia épico em Supertubos. O swell demorou a chegar, mas não desiludiu. Num dos maiores mares que já se registou pela etapa portuguesa e até mesmo num passado recente do World Tour, os membros da elite mundial tiveram de tê-los bem grandes para ir lá para fora remar pela vida. Uma verdadeira luta pela "sobrevivência", como Michel Bourez definiu após um heat em que passou pela porta de entrada de um verdadeiro super tubo e foi premiado com uma nota acima de 8, tal não era o tamanho do comboio.

 

Nessa luta desumana frente à mãe natureza, aquela que venceu e deu o maior espetáculo este sábado, houve quem levasse grandes tareias dos sets enormes que foram chegando ao longo do dia. Que o diga Mick Fanning, que venceu o heat de Kikas após dois belos tubos logo no início do heat e depois passou 20 minutos a lutar contra a rebentação, sem conseguir sair do mesmo sítio e partindo uma prancha pelo meio. Foi um dia só para homens e muitos foram os rapazes que mal apanharam ondas hoje em Supertubos.

 

Além da luta pela sobrevivência houve também a luta pelo título e já alguns perderam o comboio. Um deles foi Owen Wright e por culpa do nosso Vasco Ribeiro. O wildcard português está novamente a fazer furor em Peniche, depois do brilharete de 2015. Após perder para Jordy Smith na ronda inaugural, deu espetáculo na segunda ronda, arrumando o gigante australiano graças a um tubo, seguido de rasgada e uma bela paulada, que lhe valeu a melhor nota do dia: 9,37. Agora, segue-se John John Florence na terceira ronda, mas o jovem da Poça já mostrou aqui no passado que complicar as contas do título é especialidade da casa.

 

 

Pelo mesmo caminho foi Filipe Toledo, que perdeu para um inquebrável Leo Fioravanti. O italiano conseguiu um dos melhores scores do dia e deliciou o público presente na praia com uma onda acima de 8 pontos em que nem sequer teve de entubar. Leo deu duas super pauladas na parte crítica da onda e ainda brindou a malta com uma recuperação miraculosa. Alguém diria que ainda há dois anos Fioravanti partiu as costas em Pipeline? Soberbo.

 

Já Medina e Adriano de Souza conseguiram evitar seguir pelo mesmo caminho. O primeiro respirou de alívio, com um espetacular aéreo pelo meio, e eliminou o rei do Aloha Mason Ho, que além de vir a Portugal mandar uns caldos ainda distribuiu metade do material técnico que trouxe pelos milhares que vieram à praia. Por sua vez, Mineiro deu um cheirinho daquele moleque que venceu aqui em 2011. Ele mesmo.

 

Entre os restantes candidatos John John respondeu à letra a Jordy e num mar que certamente lhe fez lembrar o de casa encontrou espaço brilhar. Também Julian Wilson e Matt Wilkinson seguiram em frente, mas o primeiro fê-lo logo no primeiro heat e numa altura em que a maré ainda não era a melhor, com o mar à espera de acertar. Dessa forma, bastou-lhe um score abaixo dos 5 pontos para seguir em frente.

 

Joel Parkinson e Sebastian Zietz também deram um ar de sua graça, conseguindo alguns dos raros tubos finalizados ao longo do dia. Os aflitos Miguel Pupo, Josh Kerr, Ethan Ewing e Jack Freestone venceram os restantes heats, com o senhor Alana a conseguir um dos tubos mais deeps do dia, faltando-lhe apenas o tamanho da onda. Por falar em tamanho, já descrevemos o buraco de Michel Bourez? Já sim. Mas ainda não falámos de um dos momentos do dia: o drop em frente de Zeke Lau. Não fosse ele havaiano. Lau não teve medo de dropar uma das maiores bombas do dia, com quase três metros de parede. Um verdadeiro mamute. Só recebeu 2,77 pontos dos júris, mas teve uma ovação gigante da praia.

 

Ainda assim alguns dos maiores aplausos do dia foram para o jet sky que andou literalmente a saltar com a rebentação na altura do pico do swell. Até os pros foram ao delírio com a exibição de Sérgio Cosme. Foi na tal altura em que Fanning ficou 20 minutos à deriva. O que prova bem a dificuldade que os melhores do Mundo tiveram pela frente. "Difícil, mas divertido", confessou Bourez. O segredo estava em estar no sítio certo. Mas nem todos tiveram essa felicidade.

 

É verdade que não foi a perfeição de 2011, nem o drama daquela terça-feira mágica de 2009, mas este sábado, 21 de outubro de 2017, também ficará na memória futura do campeonato. Nem que seja pelo espetáculo exibido pela mãe natureza. Não é todos os dias que se vê um mar destes em provas da WSL. A boa notícia é que o swell ainda continua por Peniche amanhã e Kikas vai estar em prova bem cedo, logo no segundo heat do dia, frente ao norte-americano Nat Young. Está em jogo a liderança da corrida ao título de rookie do ano e podem vir até Supertubos porque, com muitos tubos ou poucos, espetáculo não vai faltar.

 



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