Vem da terra do Rei, tem a linha de Occy e aos 15 anos está a caminho do WCT

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Caroline Marks é o mais recente exemplo de precocidade no surf mundial feminino. Fotos: WSL


A história recente do surf mundial feminino está repleta de exemplos de precocidade. Desde as primeiras vitórias de Carissa Moore e Stephanie Gilmore, ainda adolescentes, em etapas do Women's World Tour até à conquista de ambas do primeiro título mundial bem antes de chegarem aos 20, são vários os casos que demonstram que as surfistas começam a tornar-se das melhores do Mundo cada vez mais novas.

 

No entanto, talvez o surf feminino ainda não esteja preparado para o mais recente caso de precocidade, que ameaça bater todos os recordes. Chama-se Caroline Marks e já anda a dar nas vistas nas provas juniores da WSL e circuito WQS há cerca de dois anos, embora ainda tenha somente 15 anos!? Feitos apenas em fevereiro. Isso mesmo, 15.

 

Se o circuito de qualificação feminino terminasse neste momento, a jovem prodígio norte-americana estava qualificada para o WWT do próximo ano. Atualmente ocupa o sexto posto do ranking feminino do WQS, mas à sua frente estão três surfistas que, por enquanto, têm a qualificação assegurada pelo WWT (Sage Erickson, Johanne Defay e Tatiana Weston-Webb).

 

Dessa forma, apenas Silvana Lima e Keely Andrew, que no WWT estão fora dos lugares de requalificação, estão em melhor posição que Marks para garantirem uma das seis vagas de qualificação. Ou seja, a jovem surfista da Florida é, a meio do ano, a melhor surfista entre as que estão apenas a correr o WQS e com apenas duas etapas QS6000 por disputar até final do ano (Pantín e Sydney) tudo lhe corre de feição.

 

O resultado que acabou por servir de confirmação a este talento precoce aconteceu recentemente, depois do 3.º lugar alcançado no QS6000 de Oceanside, na Califórnia, onde só foi travada pela compatriota Sage Erickson, que vive a melhor época da carreira, liderando mesmo o ranking do WQS. Antes disso já tinha deixado um aviso com um 5.º posto no QS6000 de Los Cabos, no México.

 

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A versão feminina de Kelly Slater

 

Muitos foram os surfistas a sofrer com a pressão de lhe terem colocado o rótulo de próximo Kelly Slater e até já aconteceu isso com algumas surfistas. Mas a comparação com o King é inevitável neste caso. Ambos são da Florida, sendo Caroline Marks de Melbourne Beach - atualmente vive na Califórnia, em San Clemente. O rei faz anos a 11 de fevereiro e a jovem a 14, embora os separe 30 anos de distância. A grande diferença acaba mesmo por ser o facto de Marks ser goofy.

 

Curiosamente, a talentosa surfista norte-americana tem no 11 vezes campeão mundial o seu grande ídolo, ela que tem na Indonésia o lugar favorito para viajar, sendo Lakey Peak o spot predileto. Quanto a manobras, o frontside tail-blow é a eleita. Mas o que ela gosta mesmo de fazer é vencer e desde que começou a surfar, aos 8 anos, tem feito isso com frequência.

 

Marks é detentora de vários recordes que atestam a sua precocidade. Foi a mais jovem surfista da história a integrar uma seleção dos Estados Unidos, fazendo-o com apenas 11 anos. Foi também a mais jovem campeã de sempre da divisão Open dos campeonatos NSSA dos Estados Unidos, aos 12. Em 2015 recebeu um wildcard para a etapa do WCT de Trestles e tornou-se na mais jovem surfista a entrar em competição no WWT, com apenas 13 anos.

 

É por isso natural, que Caroline Marks seja apontada como a maior esperança do surf norte-americano e mundial e se entrar mesmo no Women's World Tour em 2018 já o fará com 16 anos, mas ainda a tempo de voltar a bater mais recordes. Que se cuide Carissa Moore, porque com esse cenário Marks poderia ter a oportunidade de se tornar na mais jovem vencedora de um título mundial.

 

Para já, no currículo contam-se alguns triunfos importantes. Em 2015, com apenas 13 anos, conquistou o evento júnior do US Open of Surfing, em Huntington Beach, na Califórnia, sendo a mais jovem de sempre a fazê-lo. Repetiu o feito em 2016, com 14 anos, sendo que considera essas as maiores vitórias da ainda curta carreira. Este ano acabou como vice-campeã, numa final onde a portuguesa Teresa Bonvalot foi 3.ª classificada.

 

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Registo ainda para o facto de a primeira prova da WSL em que entrou ter sido em 2013, com apenas 11 anos, ficando no 9.º posto de um Pro Junior disputado em Soup Bowl, nos Barbados, uma das ondas favoritas de... Slater. No ano seguinte, com 12 anos, alcançou a final do segundo evento da carreira na WSL, terminando no 4.º posto do Ron Jon Vans Junior Pro, disputado na "sua" Florida. Mais concretamente em... Cocoa Beach. Isso mesmo, a terra do rei... Coincidências?

 

Apesar de todo o talento, Caroline é de carne e osso e garantiu numa entrevista à revista "Surfer" que o seu maior medo é "afogar-se", sendo que a ação que faz todos os dias, sem exceção, é "rezar" e a Bíblia é o seu livro favorito. Talvez pela idade, é natural que a música que ouve antes de surfar seja de Justin Bieber, mas não pensem que ela se fica por modas de adolescentes, pois a performance de Kelly Slater em Black & White é o seu segmento favorito de filmes de surf.

 

Caroline tem ainda a peculiaridade de adorar pescar e também chocolates. O azar já lhe bateu à porta e conta no "currículo" com uma dupla fratura no tornozelo. Algo que a avaliar pelo surf já mal se nota. Curiosamente, apesar de se inspirar tanto em Slater, a sua linha e estilo são comparados a Occy, uma vez que também é goofy como campeão mundial australiano. Até há quem lhe chame "Cari-lupo".

 

Depois de no ano passado ter acabado no 41.º posto do ranking de qualificação feminino, com apenas 14 anos, Caroline, um dos seis rebentos do clã Marks, onde o mais velho, Luke, de 18, também compete em provas da WSL, parece agora disposta a dar o passo definitivo para o WWT, confirmando a ideia de que o surf feminino vive de talentos cada vez mais precoces.

 

Só o tempo dirá onde pode chegar esta jovem prodígio norte-americana, mas até pode ser já no final deste mês em Pantín, aqui bem perto, na Galiza, que a veremos a chegar, quase criança, ao topo do surf mundial.

 



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