Kikas eliminado por Kelly Slater e quartos-de-final decididos no Quik Pro Gold Coast

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Kikas bem se esforçou mas pela frente teve o melhor de todos os tempos - e cada vez mais em forma. Foto: WSL 

 

Chegou ao final a caminhada de Frederico Morais no campeonato de estreia no World Tour 2017. O rookie português caiu de pé na 3.ª ronda do Quiksilver Pro Gold Coast, terminando no 13.º posto do campeonato após ser eliminado pelo "rejuvenescido" Kelly Slater. A madrugada deste sábado ofereceu-nos mais uma jornada deliciosa do melhor surf do Mundo, onde aconteceram performances de alto nível e algumas surpresas pelo meio, até ficarem decididos os quartos-de-final da etapa inaugural do ano.

 

Kikas entrou em ação logo num dos primeiros heats da noite e as expectativas eram altas. Nenhum alinhamento poderia ter sido melhor para o português do ponto de vista mediático – têm visto o bombardeamento nos meios generalistas por estes dias??? Após a excelente prestação na ronda inaugural muitos esperavam mais um grande feito de um dos mais temidos caçadores de gigantes do surf mundial.

 

O dia havia começado logo com duas surpresas, após o sensacional regresso de Owen Wright ser pincelado com a eliminação de Mick Fanning - mais parece que a história da lesão foi empolada só para tornar ainda mais fascinante o "plot" a que agora assistimos - e com o rookie Connor O'Leary a bater o favorito Julian Wilson - ambos foram avançando por ali fora e são duas das maiores surpresas do evento, sendo que nos quartos-de-final vão enfrentar-se por uma vaga nas meias-finais.

 

Estava assim montado um cenário perfeito para Kikas, até porque Slater tinha de competir também contra o insucesso do passado recente – desde 2014 que não passava da terceira ronda em Snapper Rocks. Contudo, o surfista da Linha acabou por acusar a pressão do momento. Frederico não entrou tão forte como gosta e como é seu timbre. Apanhou apenas três ondas durante todo o heat e não se conseguiu encontrar com um mar que já tinha visto melhores dias.

 

O herói do momento no surf nacional perdeu a primeira troca de ondas com o rei e também a prioridade no regresso ao pico e isso acabou por ser fatal, ditando a tendência do resto da bateria. No final ainda houve uma reação ao melhor estilo de Kikas, mas faltou onda – ou melhor, tamanho de onda – onde colocar todo o seu power surf que tanto agradou aos juízes na ronda inaugural. Faltou ainda sintonia – tal como o próprio Kelly admitiria logo após o heat.

 

A verdade é que do outro lado estava o melhor de todos os tempos. E melhor ainda do que aquele surfista que tem ficado aquém do momento nos últimos anos. Este é um Slater que parece revigorado para aquela que parece ser a época de despedida. Não sabemos se chega para ganhar um título que seria épica, mas num circuito que tem primado pela inconsistência já vai levar da Gold Coast um resultado mais forte que, por exemplo, Fanning, Wilson, Toledo, Adriano de Souza ou Jordy Smith.

 

Aliás, foi Slater quem despachou o gigante sul-africano no último heat masculino do dia. Isso mostra bem que temos realmente de contar com ele. Mas mais do que vitórias ou pontos o que impressionou foi a forma como deu uma lição de estilo e diversão a todas. E aí temos de recuar ao heat em que eliminou Kikas, somando 14,90 pontos contra 11,17 do português.

 

A sua melhor onda coloca-se entre o hino e a ode à forma como um surfista deve deslizar em cima de uma onda. Apanhou três tubos e um chapéu, não aplicou as manobras da forma mais performativa possível, mas esbanjou classe e divertiu-se como um miúdo. Para os juízes pode ter sido somente um 8,33, mas para o imaginário do surfista comum e de todos os fãs aquilo foi um 20.

 

 

Heat escaldante a caminho

 

Enquanto a malta se foi divertindo com as eliminações surpresas e com o prazer de ver o rei novamente a cobiçar a sua coroa por direito, houve quem não quisesse entrar na festa. A verdade é que se largarmos o mundo da fantasia onde KS nos gosta de levar, houve uma realidade bem mais competitiva onde voltaram a sobressair os dois nomes do costume. Medina e John John provaram – facilmente e sem dar muito estrilho - que são eles os principais candidatos ao título. E também os melhores competidores da atualidade – como Florence evoluiu neste campo...

 

Já depois das esperanças portuguesas terem caído ao mar, Medina deu espetáculo ainda na ronda 3. Um score de 19 pontos chegaram para convencer até os menos crentes na fé do surf brasileiro e também para contrariar a teoria de uma eventual lesão num joelho. É que se está lesionado, imaginem como ele iria "escavacar" ainda mais as direitas de Snapper se estivesse a 100 por cento. Daí seguiu para a 4.ª ronda onde venceu Slater e Coffin de forma limpa. Agora vai ter um reencontro com Kelly pela frente. Haverá melhor prova de fogo para ambos? Vamos ver qual dos tubarões tem mais apetite pelo título.

 

Por outro lado, John John teve um dia calmo. Depois do espetáculo dado na ronda anterior, hoje teve apenas de entrar uma vez na água e não se esforçou ao máximo para vencer os perigosos Italo Ferreira e Joel Parkinson. Mas terá de fazê-lo novamente frente ao brasileiro, que será o seu adversário nos quartos-de-final, depois de ter travado um sempre incógnito Kolohe Andino na ronda 5 – não ata nem desata do estado embrionário de futuro candidato ao título.

 

Já Parko teve apenas um momento mau na 4.ª ronda e rapidamente voltou à super forma que vinha evidenciado na fase seguinte. Pela frente tinha o campeão mundial de 2015, mas mostrou a Adriano que em casa manda ele, para delírio dos fãs dos coolie kids. Mais um score acima de 17 pontos para Joel Parkinson. Será que um resultado forte na Gold Coast pode despertá-lo do sonambulismo que tem mostrado enquanto suposto candidato ao título, que a única coisa pela qual tem lutado é pela permanência na elite?

 

Falta falar somente de um nome que no ano passado por esta altura causava surpresa, mas que agora já não faz rir os adversários que se cruzam com ele. Se a lógica imperar e John John vencer Italo, o havaiano irá lutar por um lugar na final com Parko ou... Wilko. O australiano passou a ser goofy só no sentido surfista do termo e deu mais um festival de "porrada" em Snappers. Adriano e Kolohe que o digam, depois de serem derrotados por ele na ronda 4. Vamos ver se tem pedalada para repetir a história da Cinderela do ano passado.

 

E por falar em princesas torna-se imperativo falar da forma como as mulheres terminaram a jornada desta madrugada em grande. Nikki van Dijk, Lakey Peterson e Sally Fitzgibbons estiveram à altura dos acontecimentos e aqueceram o palco para Steph Gilmore se afirmar como a personagem principal. Foram só 7 centésimos de diferença para a favorita Courtney Conlogue, mas os suficientes para dizer presente e "contem comigo para a luta do título".

 

No entanto, a bela seis vezes campeã mundial vai ter de dar mais uma prova de que ainda tem chama competitiva, uma vez que nos quartos-de-final vai enfrentar a todo-poderosa Carissa Moore. Mais um heat escaldante pela frente. Enquanto isso Tyler Wright terá pela frente a perigosa Lakey Peterson, a surfar cada vez melhor. Mas não ignorem Johanne Defay... Fica o aviso. Quando a prova regressar à água vai ser para encontrar os dois campeões da primeira etapa de 2017 e acreditem que vamos ter fogo de artifício. E, depois do "fiasco" dos anos ecentes, bem que Snapper já precisava de nos oferecer espetáculo assim.

 

Quiksilver Pro Gold Coast Round 3 Results (1st to R4, 2nd = 13th):
Heat 8: Owen Wright (AUS) 15.10 def. Mick Fanning (AUS) 15.00
Heat 9: Connor O’Leary (AUS) 14.93 def. Julian Wilson (AUS) 14.70
Heat 10: Kelly Slater (USA) 14.90 def. Frederico Morais (PRT) 11.17
Heat 11: Conner Coffin (USA) 14.33 def. Sebastian Zietz (HAW) 14.20 
Heat 12: Gabriel Medina (BRA) 19.00 def. Ian Gouveia (BRA) 14.56

Quiksilver Pro Gold Coast Round 4 Results (1st to QF, 2nd & 3rd to R5):
Heat 1: Matt Wilkinson (AUS) 17.07, Adriano de Souza (BRA) 14.97, Kolohe Andino (USA) 8.30
Heat 2: Joel Parkinson (AUS) 14.17, Italo Ferreira (BRA) 13.10, John John Florence (HAW) 9.73
Heat 3: Connor O'Leary (AUS) 10.77, Owen Wright (AUS) 10.66, Jordy Smith (ZAF) 9.77
Heat 4: Gabriel Medina (BRA) 15.76, Kelly Slater (USA) 12.07, Conner Coffin (USA) 11.17

Quiksilver Pro Gold Coast Round 5 Results (1st to QF, 2nd = 9th):
Heat 1: Joel Parkinson (AUS) 17.23 def. Adriano de Souza (BRA) 12.43
Heat 2: Italo Ferreira (BRA) 12.80 def. Kolohe Andino (USA) 10.56
Heat 3: Owen Wright (AUS) 14.76 def. Conner Coffin (USA) 14.17
Heat 4: Kelly Slater (USA) 14.70 def. Jordy Smith (ZAF) 13.30

Quiksilver Pro Gold Coast Quarterfinal Match-Ups (1st to SF, 2nd = 5th):
QF 1: Matt Wilkinson (AUS) vs. Joel Parkinson (AUS) 
QF 2: John John Florence (HAW) vs. Italo Ferreira (BRA) 
QF 3: Connor O'Leary (AUS) vs. Owen Wright (AUS) 
QF 4: Gabriel Medina (BRA) vs. Kelly Slater (USA) 

 

Roxy Pro Gold Coast Round 4 Results (1st to QF, 2nd = 9th):
Heat 1:
Nikki Van Dijk (AUS) 15.67 def. Coco Ho (HAW) 14.94
Heat 2: Lakey Peterson (USA) 13.43 def. Tatiana Weston-Webb (HAW) 13.17
Heat 3: Sally Fitzgibbons (AUS) 16.50 def. Bronte Macaulay (AUS) 11.83
Heat 4: Stephanie Gilmore (AUS) 16.40 def. Courtney Conlogue (USA) 16.33

 

Roxy Pro Gold Coast Quarterfinal Match-Ups (1st to SF, 2nd = 5th):
QF 1:
Johanne Defay (FRA) vs. Nikki Van Dijk (AUS)
QF 2: Tyler Wright (AUS) vs. Lakey Peterson (USA)
QF 3: Keely Andrew (AUS) vs. Sally Fitzgibbons (AUS)
QF 4: Carissa Moore (HAW) vs. Stephanie Gilmore (AUS)



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