Baixas de última hora colocam Frederico Morais no evento principal em Pipeline (!?)

John John Pipe

John John Florence compete em casa e é a principal ameaça a Kikas no ranking da Triple Crown. Foto: WSL

 

Está aí a última etapa do World Tour 2016. O Billabong Pipe Masters é um dos eventos mais aguardados do ano, ou não se disputasse em Pipeline, a meca do surf mundial e onda rainha do North Shore de Oahu, no Havai. Em 2016 as expectativas não são tão elevados, pois o campeão mundial já não vai ser decidido em Pipe. Contudo, o evento ganhou maior expressão para os portugueses, pois há a possibilidade de Frederico Morais enfrentar os melhores surfistas do Mundo nos tubos de Pipeline e Backdoor.

 

O surfista português está nas bocas do surf mundial, uma vez que se qualificou esta semana para o World Tour 2017. A juntar a isso, ainda está na liderança isolada da prestigiada Vans Triple Crown of Surfing. Essa situação fez levantar vários rumores quanto à possibilidade de ter um wildcard para o Pipe Masters. Contudo, é bom lembrar que a mudança do formato da competição, ocorrida há dois anos, torna esse cenário um pouco improvável.

 

Perante tanta especulação, contactámos fonte oficial da WSL. A resposta foi clara: Kikas terá entrada para os trials de Pipeline. Nesse pré-evento estarão em prova 32 surfistas, que se dividem entre os melhores locais ao longo do ano e alguns talentos internacionais, sobretudo os primeiros classificados do WQS, como é o caso de Frederico. Irão lutar pelos dois wildcards que estão em jogo para o evento principal.

 

Pelo menos, foi assim que se desenrolou tudo nos últimos dois anos. E a WSL continua a afirmar, através do último comunicado oficial, que assim continuará a ser. Os dois finalistas irão receber as duas vagas livres para o Billabong Pipe Masters. Dessa forma, a possibilidade de Frederico Morais entrar diretamente com um convite da Billabong, marca que o patrocina, não parece ser muito lógica. A não ser que mudem as regras do jogo de um momento para o outro...

 

Ainda assim, é importante salientar que em caso de existirem baixas de última hora poderão ser chamados surfistas para as suprimir, entrando diretamente no evento principal. Logicamente, que Kikas estaria na linha da frente perante um cenário desses. E é isso que poderá estar para acontecer. Até porque durante o dia de hoje "desapareceram" do draw dois surfistas. Ao que tudo indica, Alejo Muniz e Matt Banting não vão competir em Pipeline. E é aqui que que se pode abrir um espaço para Frederico.

 

Três dos substitutos do Tour – Seabastian Zietz, Stu Kennedy e Adam Melling - já estão dentro, devido à lesão de Owen Wright, à retirada de Taj Burrow e ao ano sabático de Mick Fanning. Mas é bom lembrar que se existir alguma desistência, essa vaga será ocupada pelo havaiano Dusty Payne, quarto substituto do Tour. Foi isso que a nossa fonte da WSL garantiu. Mas havendo duas desistências... aí seria inteiramente justo entregar a outra vaga a Frederico Morais, uma vez que é ele o líder destacado da Triple Crown, podendo defender a sua posição.

 

Dessa forma, e numa altura em que estamos a menos de 24 horas do arranque dos trials, que se desenrolam no primeiro dia de espera do evento, resta esperar por uma oficialização que coloque o surfista de Cascais diretamente no evento principal. Nesse caso, poderia ser colocado no heat 4 da ronda inaugural, onde enfrentaria novamente o sul-africano Jordy Smith e o havaiano Keanu Asing. Isto, claro, dependendo do seeding dos outros eventuais convidados.

 

Neste momento, a única certeza é a de que Kikas tem lugar garantido nos trials. Veremos se essa situação se alterará até amanhã, parecendo bastante provável que tal aconteça – não com wildcard, mas sim como substituto. Caso isso se verifique, Kikas irá assim lutar por manter a sua liderança da Triple Crown, onde John John Florence, Jordy Smith e Jadson Andre se afiguram como os principais adversários.

 

Frederico Morais soma 16 mil pontos, depois de ter chegado à final do QS10000 de Haleiwa e do QS10000 de Sunset Beach e de ter terminado ambos no 2.º posto. John John, com 12.300, e Jordy, com 12.100 são os mais diretos perseguidores. Ora, se Kikas, eventualmente, chegar às meias-finais do Pipe Masters, garante automaticamente a conquista da Triple Crown. Algo que seria "só" a conquista mais histórica do surf nacional.

 

Se o surfista português não entrar no evento principal e ficar a ver as decisões da areia, então precisa que Florence e Jordy não avancem mais que a 3.ª ronda, que Jadson não chegue às meias-finais, que Kelly Slater e Ace Buchan não cheguem à final e que Jack Freestone não vença o evento. Mas se Kikas entrar em prova tem a oportunidade de somar pontos e ir aumentando o requisito dos rivais.

 

Depois há as previsões, que, numa primeira análise, não são muito animadoras. Para amanhã até deverá haver algumas ondas, mas nada de deslumbrante. O swell está a cair e, embora possa estar "contestável", dificilmente veremos as condições únicas a que Pipe já nos habituou ao longo dos anos. Nos dias seguintes a oferta é ainda pior. Talvez só no início da próxima semana chegue algo de melhor, uma vez que entram novos swells.

 

Estamos já a menos de um dia do arranque do Billabong Pipe Masters, a última prova do ano da WSL. O período de espera prolonga-se até 20 de dezembro e os melhores surfistas do Mundo irão procurar suceder a Adriano de Souza, que no ano passado venceu o campeonato, após se ter ali sagrado campeão do Mundo. E este ano com a possibilidade cada vez mais real de ter novamente um português à mistura. #GoKikas!

 

Billabong Pipe Masters Round 1 Match-Ups:
Heat 1: Julian Wilson (AUS), Wiggolly Dantas (BRA), Ryan Callinan (AUS)
Heat 2: Kolohe Andino (USA), Miguel Pupo (BRA), Bede Durbidge (AUS)
Heat 3: Matt Wilkinson (AUS), Nat Young (USA), TBD
Heat 4: Jordy Smith (ZAF), Keanu Asing (HAW), TBD
Heat 5: Gabriel Medina (BRA), Kanoa Igarashi (USA), TBD
Heat 6: John John Florence (HAW), Jadson Andre (BRA), TBD
Heat 7: Adriano de Souza (BRA), Conner Coffin (USA), Alex Ribeiro (BRA)
Heat 8: Joel Parkinson (AUS), Stuart Kennedy (AUS), Jeremy Flores (FRA)
Heat 9: Filipe Toledo (BRA), Josh Kerr (AUS), Adam Melling (AUS)
Heat 10: Kelly Slater (USA), Caio Ibelli (BRA), Kai Otton (AUS)
Heat 11: Sebastian Zietz (HAW), Italo Ferreira (BRA), Jack Freestone (AUS)
Heat 12: Adrian Buchan (AUS), Michel Bourez (PYF), Davey Cathels (AUS)



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