Kikas avança mais um heat em Sunset Beach e sobe (virtualmente) no ranking

Kikas SUnset Beach

Com mais drama à mistura, mas com o mesmo surf que não nos faz duvidar que a hora de Kikas está a chegar. Foto: WSL

 

Se na véspera esteve sublime e nem nos fez sofrer, desta vez houve muito drama à mistura. Ainda assim, Frederico Morais conseguiu avançar mais uma ronda na Vans World Cup, dando mais um passo de gigante rumo ao World Tour 2017. Mesmo com o mar mais pequeno e complicado, Kikas avançou para a 4.ª ronda em Sunset Beach e subiu virtualmente um posto no ranking do WQS.

 

Foi uma discussão intensa e bem dramática, que só ficou decidida nos últimos 10 segundos da bateria. Com Tanner Gudauskas seguro na liderança do heat, o surfista português esteve durante largos minutos no 2.º posto, graças a dois scores intermédios, na casa dos 5 pontos. Keanu Asing estava praticamente fora da disputa, mas Kanoa Igarashi, com uma onda de 7 pontos, ameaçava a posição de Frederico.

 

Pela cabeça de muitos portugueses passou certamente a ideia de que o jovem rookie norte-americano podia facilitar, face à amizade que o une a Kikas e a Portugal. Mas também deverá ter passado pela cabeça o célebre heat entre Tiago Pires e Jeremy Flores em Nova Iorque, em 2011, quando até o próprio Saca pensou que iria ter uma "ajuda" amiga, ficando depois à beira de sair do Tour na rotação de meio do ano.

 

A faltar um minuto para o fim da disputa e com um requisito baixíssimo, na casa dos 3 pontos, Kanoa tinha a prioridade e saiu numa onda que lhe rendeu várias manobras, embora sem o brilhantismo que se requer. Ainda assim era suficiente para virar a bateria. Desespero. Parecia o final do sonho para Kikas e o surf nacional. Contudo, Neptuno tinha outros planos. Frederico ficou com a prioridade e o "milagre" surgiu a 15 segundos do toque da buzina.

 

O surfista do guincho mandou a pressão às malvas e aplicou três manobras fortes e arriscadas, sabendo de que se tratava do tudo ou nada. A onda era bem maior e isso favorecia-o. Restava esperar a deliberação dos juízes. Expectativa, ansiedade e mais drama até as notas saírem. No final, foram cerca de 20 centésimas a dar vantagem ao português. O sonho continuava vivo. Mais vivo que nunca.

 

Subida no ranking

 

A qualificação de Kikas para a 4.ª ronda rendeu automaticamente mais 1000 pontos para o ranking. Algo que é bastante positivo para a sua luta pela qualificação para o Tour 2017. Até porque a eliminação de Ryan Callinan (9.º) na 3.ª ronda, fez com que Frederico passasse o seu amigo e companheiro de equipa no ranking – o australiano também já foi passado por Jadson Andre, o que o retira praticamente do Tour do próximo ano.

 

Os 1000 pontos conquistados por Frederico tiveram ainda o condão de retirar automaticamente da luta cinco surfistas: Mihimana Braye, Keanu Asing, Torrey Meister, Miguel Pupo e Michael February. No entanto, Braye, Asing e February acabariam por perder nesta 3.ª ronda. Só Pupo e Meister seguem em prova, mas já sem possibilidades matemáticas de chegarem ao top 10.

 

Ainda assim, o português precisa de mais. Pelo menos mais uma vitória. Se chegar à 5.ª ronda (quartos-de-final) fica numa situação mais segura. Isto porque garante automaticamente mais 2500 pontos para o ranking e ainda consegue ultrapassar o brasileiro Bino Lopes (8.º) no ranking, ele que também ficou pelo caminho na 3.ª ronda. Perante esse eventual cenário, a qualificação fica praticamente garantida, embora não seja matematicamente certa.

 

Com o swell a subir mais um pouco, este domingo será o dia final da Vans World Cup. Na 4.ª ronda Kikas vai estar em prova no heat 3, onde vai medir forças com o brasileiro Filipe Toledo, o australiano Ace Buchan e ao havaiano Billy Kemper. Embora nenhum dos seus adversários esteja envolvido na luta pela qualificação, serão sempre rivais de peso. Até porque não há quem queira desperdiçar a hipótese de brilhar numa das arenas mais imponentes do surf mundial.

 

Se o surfista português conseguir ultrapassar mais esta bateria, a qualificação começa a ficar definitivamente mais perto. E a partir daí tudo pode acontecer, inclusivamente entrar na luta pela vitória na etapa e pela Triple Crown, onde é 2.º classificado após ter sido vice-campeão em Haleiwa – John John é o líder e ambos podem enfrentar-se na ronda seguinte. Vai ser uma noite de domingo em cheio. O espetáculo e a emoção estão garantidos. Resta esperar que a sorte esteja com Frederico Morais e com o surf nacional. Go Kikas!!!

 

Contas...

 

Após a jornada deste sábado, ficam a restar somente 8 adversários na luta pela qualificação, sendo que são 5 os que constituem as maiores ameaças. Mas é preciso ter em conta que Frederico já está no 9.º posto, o que lhe dá uma almofada de conforto, podendo cair um lugar. Em baixo ficam os requisitos dos surfistas ainda em prova para atingirem a atual pontuação virtual do português (17.010).

 

- A precisar de, pelo menos, um 13.º posto: Jadson Andre, que neste momento já está virtualmente no top 10, Jesse Mendes, Jack Freestone e Zeke Lau;

 

- A precisar de, pelo menos, um 7.º posto: Deivid Silva

 

- A precisar de, pelo menos, um 4.º posto: Tanner Gudauskas e Marc Lacomare;

 

- A precisar de vencer a etapa: Pat Gudauskas

 

Mas caso Kikas continue a avançar é isto que acontece...

 

* Caso Kikas termine no 7.º posto (meias-finais): Pat Gudauskas fica automaticamente impossibilitado de alcançar o português;

 

* Caso Kikas termine no 4.º posto (final): Marc Lacomare fica automaticamente impossibilitado de alcançar o português;

 

* Caso Kikas termine no 3.º posto (final): Tanner Gudauskas fica automaticamente impossibilitado de alcançar o português;

 

* Caso Kikas termine no 1.º posto (final): Jack Freestone, Zeke Lau, Jesse Mendes, Jadson Andre e Deivid Silva ficam automaticamente impossibilitados de alcançar o português.



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