E se hoje fosse o dia de voltar a ter um português na elite mundial?

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Kikas atravessa um momento de forma incrível e pautado pela consistência. Quererá isso significar algo de histórico a caminho? Foto: WSL

 

Hoje é O dia. Um grande swell está a chegar por esta altura ao Havai e vai levar condições exigentes até Haleiwa. Aquilo que se quer para o dia final do Hawaiian Pro. Este é o penúltimo QS10000 da temporada e pode ditar muita coisa em relação às contas finais do circuito mundial de qualificação.

 

A prova está parada à entrada dos oitavos-de-final. O mesmo que dizer que já só estão 32 surfistas em prova. E dois deles são portugueses. Mas não chegaram a esta fase por sorte, nem sequer podem ser considerados outsiders. O evento tem sido dominado até aqui pelas performances de Frederico Morais e Vasco Ribeiro. Disso não há dúvida.

 

Os comentadores e o público local renderam-se ao power surf exibido por Kikas e Vasco. É natural que cheguem a este dia final na lista de principais favoritos ao triunfo. Mesmo que isso seja uma tarefa só ao alcance de surfistas com muito estofo para estas andanças. Não será fácil. Mas também nunca parece ter estado tão perto...

 

Não o dizemos por patriotismo. A verdade é que a consistência de espetacularidade e domínio que foram exibidas pelos dois ao longo dos primeiros dias do evento não deixam dúvidas. A subida do mar é mais uma ajuda, pois dá para perceber que é em condições pesadas que melhor exibem o sue à vontade, em contraste com outras "estrelas do meio metro"...

 

Logicamente que um triunfo português num dos campeonatos mais importantes no Havai seria uma enorme surpresa. Sobretudo em termos históricos. Mas, embora pareça uma ideia paradoxal, surpresa será mesmo Frederico e Vasco não conseguirem avançar mais rondas neste evento, tal o "momentum" que atravessam.

 

Qualificação na mira

 

Após mais uma bela jornada na 3.ª ronda, ambos já garantiram importantes pontos para o ranking. Mesmo que não cheguem a uma final, vêm a sua situação melhorada. E ainda têm em Sunset Beach uma hipótese de angariar mais pontos. Embora o cenário de Vasco Ribeiro seja mais complexo, Kikas ocupa o 28.º posto e tem tudo a seu favor.

 

O surfista do Guincho está a competir nas ondas que mais gosta do circuito e nas quais melhor se adapta. Neste momento atingiu a barreira dos 10 mil pontos. Segundo a WSL, o "cut" da qualificação poderá ser feito pelos 18 mil pontos. Um triunfo em Haleiwa colocaria já Kikas acima dessa fasquia. Impossível? Difícil, sim. Possível, também. E se for hoje o dia de voltarmos a ver um surfista português qualificar-se para o World Tour?

 

Não queremos elevar as expectativas, nem sequer colocar pressão em Frederico. No entanto, essa possibilidade não é, de todo, absurda. O importante mesmo é conseguir passar ronda a ronda, de forma a amealhar mais pontos. Em Sunset, onde fez uma final na sua estreia na Triple Crown, fazer o mesmo. No final faremos as contas. Mas, a verdade, é que nunca alguém teve tão perto de imitar o feito de Tiago Pires.

 

A situação até poderia ser melhor, caso Vasco não tivesse passado grande parte da temporada "adormecido" – tal como as ondas do circuito. Chega ao Havai a precisar quase de um milagre para se qualificar. Estava quase fora do top 100 mundial e somente duas finais poderiam fazê-lo sonhar. Não acreditamos em impossíveis, mas é um cenário bastante complexo. Ainda assim, há muito a ganhar para o surfista da Poça.

 

Mar a subir bem

 

O call está marcado para as 17H45 portuguesas. Esperam-se ondas acima dos 3 metros, naquele que será, certamente, o dia final – até pelas previsões pequenas para os dias seguintes. Tudo está alinhado para mais um dia histórico no surf nacional, patrocinado por estes dois talentos. Resta esperar que aquele pedacinho de sorte que, muitas vezes, separa os vencedores dos vencidos esteja com eles.

 

Vasco Ribeiro será o primeiro a entrar em ação, no heat 5 da 4.ª ronda. Pela frente terá um trio norte-americano constituído por Griffin Colapinto, que tem estado imparável a par dos portugueses, Evan Geiselman e ainda o experiente ex-top do WCT Brett Simpson. Vasco já mostrou surf para bater Geiselman e Simpo neste campeonato, mas a lógica nem sempre impera no surf.

 

Logo no heat seguinte entra em ação Kikas, que tem um complicado desafio pela frente. O sul-africano Jordy Smith e o australiano Kai Otton são surfistas de Tour e com uma qualidade acima da média – principalmente Jordy. Há ainda o francês Joan Duru, que está à procura de selar a qualificação para o Tour de 2017. A partir daí, caso avancem, os portugueses até se podem cruzar na ronda(s) seguinte(s). Esperemos que sim, pois era bom sinal.

 

Mais do que exigir algo aos nossos rapazes, esta tarde vai ser hora de nos ligarmos à transmissão e torcer por eles como nunca. A verdade é que o que Frederico Morais procura apenas 10 surfistas por ano - entre mil - o conseguem fazer. Apenas um português o conseguiu fazer em toda a história. Mas estamos famintos de voltar à elite mundial. Por isso, força rapazes! Surfem por vocês, mas também por nós.



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