Vasco Ribeiro e Frederico Morais mostram o power português em Haleiwa

Kikas Haleiwa

Kikas dizimou as ondas e a concorrência, deixando ainda enormes expectativas quanto a voos maiores ainda esta temporada. Foto: WSL

 

A armada lusa esteve imparável no segundo dia de ação do Hawaiian Pro, QS10000 que marca o arranque do Triple Crown havaiana, no North Shore de Oahu. Frederico Morais e Vasco Ribeiro protagonizaram as duas melhores performances da jornada, mostrando ao mundo inteiro o power português.

 

Com um swell bem pesado a presentear os surfistas com ondas bem acima da média – a organização fala mesmo em alguns sets na casa dos 20 pés (6 metros) – os dois únicos representantes nacionais neste evento demonstraram que o talento nacional se sente à vontade em condições desafiantes e em ondas de consequência.

 

O primeiro a entrar em cena foi Vasco Ribeiro. Apesar de não ter tido a melhor entrada no heat, o surfista da Poça teve uma recuperação sensacional, brindando os adversários com manobras arriscadas nas secções mais críticas e rasgadas bem poderosas, que provocavam explosões de impor respeito na terra onde o surf nasceu.

 

Vasco começou por conseguir uma onda de 8,20 pontos a meio do heat, chegando ao último minuto dentro de uma acesa discussão pela qualificação. A menos de 10 segundos do final, o jovem português agarrou uma bomba e conseguiu um 9,37, ultrapassando Tanner Gudauskas e vencendo a bateria, com um score de 17,57 pontos. Pelo caminho num dos heats mais intensos do dia ficaram o taitiano O'Neill Massin e o costa-riquenho Noe Mar McGonagle.

 

 

"As ondas aqui são muito poderosas e, definitivamente, que o facto de ser um surfista grande é uma ajuda", começou por dizer Vasco Ribeiro na entrevista pós-heat. "Aqui precisas de colocar algum power nas manobras, se quiseres ser mais expressivo. Foi para surfar ondas destas que cá vim. Estou feliz por passar mais um heat e espero que amanhã volte a haver ondas", frisou o português, que na altura detinha o melhor score do dia.

 

Mas essa situação seria revertida pouco tempo depois e pelo amigo e compatriota Frederico Morais, que venceu o heat 12 de uma forma avassaladora e super controlada, ficando com a melhor onda e melhor score do dia. Um luxo ver Kikas a surfar que tanta precisão e a ser tremendamente elogiado pelos comentadores internacionais do webcast. O surfista do Guincho já não passa despercebido por ondas havaianas.

 

Frederico não perdeu tempo e na primeira onda do heat encaixou três enormes manobras, mostrando que a qualidade é sempre melhor que a quantidade. Conseguiu logo aí uma nota de 9,77 pontos, com um dos juízes a fazer mesmo soltar o 10. Logo de seguida juntou-lhe um 8,10 e deixava todos os adversários em combinação. Era um começo destruidor.

 

 

O surfista português estava em sintonia com as ondas e ainda se deu ao luxo de conseguir três descartes acima de 7,90 pontos enquanto "passeava" rumo à 3.ª ronda. Apenas Brett Simpson conseguiu reagir e sair da combinação, graças a uma onda de 9,07 pontos, garantindo, por isso, também a passagem à fase seguinte. O uruguaio Marco Giorgi e o costa-riquenho Noe Mar McGonagle foram eliminados.

 

"Finalmente tivemos ondas no circuito", disparou Frederico na flash interview, de uma forma sorridente. "Adoro este tipo de ondas grandes e poderosas. São muito parecidas ao que tenho em casa, como por exemplo na Ericeira", assegurou, antes de falar das suas hipóteses de se apurar para o World Tour 2017: "Penso que existe uma chance de o poder fazer. Adoro Haleiwa e Sunset e ainda há 20 mil pontos em disputa. Vou tentar agarrar esta oportunidade".

 

Até final do dia mais ninguém sequer ousou conseguir performances idênticas às dos portugueses. A 2.ª ronda fechou e a organização ainda colocou na água o heat inaugural da 3.ª ronda, onde o nosso bem conhecido Gony Zubizarreta saiu vencedor, com o australiano Mitch Crews a também seguir em frente. Ambos ajudaram a eliminar o campeão mundial de 2015 Adriano de Souza e o também brasileiro Bino Lopes.

 

Agora, Vasco Ribeiro vai estar no heat 10 da fase seguinte, onde mede forças com os australianos e tops do WCT Matt Banting e Kai Otton e ainda com outro aussie, o experiente Mitch Coleborn. Já Frederico Morais volta a entrar dois heats depois, enfrentando o brasileiro e top do WCT Wiggolly Dantas, o australiano e regressado Bede Durbidge – não compete desde que se lesionou no Pipe Masters do ano passado – e o norte-americano Evan Geiselman.

 

Para esta terça-feira o mar deve descer até aos 10 pés, esperando-se que o swell vá caindo ao longo do dia. Ainda assim, deverão estar ondas na casa dos 2 metros e o evento deverá mesmo avançar. Um cenário positivo para Vasco e Kikas continuarem a aplicar o seu power. Mesmo com o mar a cair para os próximos dias, na sexta-feira entra um novo swell bem pesado, que aumenta ainda mais as expectativas em relação à prestação dos dois jovens talentos portugueses.



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