Conner O'Leary conquista o Ballito Pro; Kikas mantém-se no top 20 do WQS

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O'Leary alcançou o maior triunfo da carreira nas ondas sul-africanas. Foto: WSL


Terminou no domingo o primeiro QS10000 da temporada, com o australiano Conner O'Leary a alcançar o triunfo final, após um dia recheado de ação, onde o progresso e o power se cruzaram, havendo ainda alguns tubos pelo meio. Foi um final glorioso para o evento sul-africano, que viu assim os aussies confirmaram o seu belo arranque de temporada, desafiando a lógica do domínio brasileiro instalado no surf mundial ano passado.

 

Depois de um sábado em que se realizaram apenas os oitavos-de-final e onde a grande estrela do evento, o sul-africano Jordy Smith, ficou pelo caminho, após ser eliminado numa grande disputa com compatriota Beyrick de Vries, o dia final voltou a oferecer duelos bem intensos. Scores elevados e muito renhidos foram o prato do dia, com destaque para a nossa "amiga" armada francesa, que colocou dois surfistas nas meias-finais.

 

Conner O'Leary, por sua vez, começou o dia a eliminar nos quartos-de-final o compatriota Ethan Ewing, que promete ser a grande sensação desta temporada. O jovem australiano até conseguiu a nota mais alta da bateria, com 9,73 pontos, mas acabaria eliminado pelos 15,50 de O'Leary. Já nas meias-finais foi o havaiano Zeke Lau a ser vítima do poderoso surf mostrado pelo australiano de origem japonesa.

 

Do outro lado do draw vinha um Joan Duru que parecia imparável e afirmava-se como o surfista do evento. Primeiro despachou Beyrick de Vries com um score de 18,67 pontos. Nas meias-finais teve pela frente a difícil tarefa de enfrentar o último resistente entre os surfistas do Tour, o compatriota Jeremy Flores. Um heat explosivo que terminou com 19,20 pontos para Duru, contra 17,63 para Flores.

 

Tínhamos assim uma final de goofys em Ballito, mas Joan Duru havia gasto todas as balas na "final antecipada" frente a Jeremy. Apesar de chegar à grande decisão em aparente vantagem, o power surfer francês viu O'Leary virar a situação com a última onda. Um 9,20 pontos que deu completamente a volta ao texto. Com um score de 17,30 pontos, contra 15,80 de Duru, o surfista australiano conquistava assim a maior vitória da carreira na WSL – o único título sénior no currículo foi um campeonato 2 estrelas em 2012, no Japão.

 

Subida a pique

 

Com este desfecho, o primeiro QS10000 da temporada ofereceu muitas mudanças no ranking do WQS. Ainda assim, a liderança mantém-se firme com o italiano Leo Fioravanti, uma vez que teve um arranque de época brutal. Em Ballito, Fioravanti só caiu nos oitavos-de-final e conseguiu somar mais 3.700 pontos para a sua luta. Leo tem já 17.350 pontos e conta com um resultado baixo para substituir. Tendo em conta que a qualificação no ano passado "fechou" nos 21.300 pontos, falta pouco para estarmos perante o primeiro italiano a chegar à elite mundial.

 

Já Conner O'Leary subiu 13 posições até à vice-liderança do ranking, estando ainda a pouco menos de 3 mil pontos de Leo Fioravanti. Um triunfo importantíssimo que deixa também o australiano na rota da qualificação para o Tour, depois de no ano passado ter ficado a somente três posições de o conseguir. A fechar o top 3 surge o francês Joan Duru, precisamente o finalista vencido em Ballito. O brasileiro Deivid Silva é o atual número 4, Zeke Lau subiu 18 posições até ao 5.º posto e é o impressionante Ethan Ewing a surgir no 6.º posto, ele que no início da temporada estava fora do top 300.

 

Quantos aos portugueses, apesar da prestação menos conseguida neste evento, houve algumas subidas na tabela. Frederico Morais foi quem mais pontuou e, apesar de ter conseguido apenas 1.100 pontos, permaneceu no top 20 mundial, descendo do 16.º para o 19.º lugar. Kikas continua assim bem posicionado para atacar a qualificação para o Tour já nos próximos eventos – o QS10000 seguinte acontece no final do mês em Huntington Beach, na Califórnia.

 

Pedro Henrique surge como o número 2 nacional, ocupando o 52.º posto, sendo seguido por Vasco Ribeiro, que é o atual 60.º classificado. Dentro do top 100 mundial a armada lusa conta ainda com a presença de José Ferreira, que é o 97.º classificado. Nic von Rupp ascendeu 20 posições até à 121.ª posição, enquanto Tomás Fernandes (180.º) e Marlon Lipke (181.º) são os que surgem mais longe – é importante pontuarem bem nos próximos campeonatos de forma a entrarem no "cut" após a rotação do seeding no final deste mês.



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