A "Lista do Pernil": Bells Beach - fotogaleria

knox4237bells11kirstinImagina chegares à praia e teres "isto" para surfar. Em Bells Beach, "isto", pode acontecer..e é isso que a faz uma presença óbvia na Lista do Pernil. Foto: ASP/Kirstin

 

"Lista do Pernil" é uma nova série mensal do site da SURFPortugal que aborda aquelas ondas que tu vais ter que surfar antes de esticares o pernil. Depois dos Coxos e Arugam Bay, Bells Beach.

 

Bells Beach é o santuário do surf na Austrália. Nenhuma outra onda australiana encerra tanta história e misticismo quanto as geladas paredes de Bells, sendo um dos spots mais estimados pelos surfistas em todo o mundo, embora seja também bastante inconsistente e crowdeado.

 

Bells Beach – assim nomeada graças ao facto de a propriedade que os primeiros surfistas tinham de atravessar para lá chegar, nos anos 50, pertencer a um agricultor local chamado “Bells” – tem permanecido praticamente intocada desde essa altura, preservando o seu ambiente roots e selvagem. Os seus penhascos verdes-ocre erguem-se perante a vastidão do oceano à margem do desenvolvimento e da especulação imobiliária que transfiguraram a Gold Coast, outro importante polo do surf australiano. Ainda hoje, mesmo nos dias bons, os cangurus e as ovelhas superam os surfistas em número numa escala de 100 para 1. Tornou-se a primeira reserva de surf australiana (a primeira do género no nundo) em 1971.

 

Bells é também a casa do mais antigo campeonato de surf do mundo, o Rip Curl Pro, inaugurado em 1973. Desde então, aquele pico foi palco de alguns dos mais vibrantes e emblemáticos momentos do surf competitivo mundial: as três vitórias consecutivas de Michael Peterson, de 73 a 75; a semi-final entre Mark Occhilupo e Tom Curren em 1986, amplamente reconhecida como o melhor heat da história do surf profissional; a célebre frase de Shane Dorian após vencer a edição de 1998, “No kook ever wins Bells” (nenhum idiota vence em Bells).

 

A direita de Bells tem duas secções distintas, Ricon e Bells Bowl. Cerca de 300 metros mais a leste na baía situa-se Winkipop, uma direita mais longa e mais rápida. Em raras ocasiões, quando o swell é realmente grande, os line-ups “ligam-se” formando uma onda interminável, proporcionando uma experiência capaz de te fazer mudar de vida.

 

Ricon é uma onda rápida e manobrável, que fecha “a correr” ao longo de 150 metros à sombra do promontório. Bells Bowl é a verdadeira onda de Bells: partindo a meio da baia, entre o promontório e Winkipop, só começa a “revelar-se” acima de 1.5 metros, aguentando até 5 metros de ondulação. Bells Bowls oferece paredes densas, bem inclinadas, e ao surfá-las com tamanho vais sentir-te como se estivesses a fazer snowboard.

 

A má notícia é que ali toda a gente surfa e, situando-se apenas a 1 hora de carro de Melbourne, o line-up está sempre cheio quando está a dar. Os tubos escasseiam por ali, mas as ondas partem com força. É uma onda difícil de dominar: até Kelly Slater admite que nunca “se entendeu” plenamente com a onda.


Informação Útil

Localização: cerca de 100 km a sudeste de Melbourne, Victoria, Austrália.

Como chegar: De avião até Melbourne (a 90 minutos de distância) ou Avalon (45 minutos).

Melhores meses: março/junho.

Grau de experiência: alto

Frequência: inconsistente

Fundo: rocha

Direção: direita

Pranchas: abaixo de 2 metros, acrescenta uma ou duas polegadas ao teu tamanho de prancha habitual. Acima de 2 metros, vais precisar de algo entre 6’4’’ e 6’10’’. Pranchas com mais volume são recomendadas, já que a remada é longa e fatigante. Por Susana Santos.

 

Para veres a fotogaleria, carrega numa das imagens em baixo. Fotos: ASP

 

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