À conversa com Guilherme Fonseca - fotogaleria
Segunda, 06 Fevereiro 2012 21:13
Um dos privilégios de ser local de Supertubos e dessa onda fazer a sua casa é o que a imagem em cima ilustra, um exclente à vontade nos tubos. Foto: Ricardo Bravo
Guilherme Fonseca, 14 anos, é um dos mais promissores júniores portugueses. Da Lourinhã mas com Peniche como casa de surf, "Gui" tem os pés bem assentes no chão e embora sonhe chegar ao WT, para já quer apenas "treinar" para ser um "bom surfista". Fresco de ter conseguido o título de campeão nacional de Esperanças sub-14, fomos falar com este surfista que desde cedo tem mostrado sinais de se poder vir a tornar num dos melhores surfistas portugueses da sua geração. Logo a seguir, uma fantástica fotogaleria com fotografias do júnior a exibir todo o seu talento, dos Coxos aos Supertubos.
SURFPortugal - Qual consideras que foi o ponto alto do teu ano de 2011?
Guilherme Fonseca - Acho que foi a última etapa dos Esperanças em que precisava de ganhar a final para me sagrar campeão nacional e consegui. Eu estava numa situação em que só tinha ganho uma etapa e o Tomás Ferreira já tinha ganho duas e eu consegui dar a volta mesmo no fim. Era uma coisa difícil e acho que por isso foi o meu ponto alto.
SP - Em 2010 começaste a treinar com a SURFTechnique. Porque quiseste treinar com eles e que lições já tiraste do tempo de treino que tiveste com eles?
GF - Quis treinar com eles porque eles são uma equipa grande, com vários surfistas bons e melhores que eu e isso é bom para evoluir e para eu começar a surfar melhor. E, claro, treinar com o David [Raimundo] e com o [Nuno] Telmo que são treinadores muito bons. As maiores lições que tirei foi sobretudo em termos de mar maior, por exemplo, nas Maldivas, já é outra coisa. A equipa puxa por mim e é mais fácil assim atirar-me a mar maior, acho que foi a principal lição que aprendi. Acreditar em mim e saber que consigo.
SP - A ST é um grupo abrangente com vário surfistas e tu és um dos mais novos. Como é que os teus colegas te tratam, como o caçula?
GF - Há outros surfistas mais novos, como o João Vidal e Xiquinho mas em termos de viagens e no grupo competitivo, sou mesmo dos mais novos. Nas viagens, há sempre aquela coisa dos mais velhos e do respeito, os mais novos têm é que estar calados (risos). Mas isso faz parte e é bom para crescer mentalmente.
SP - Tu és da zona de Peniche, achas que por isso tens uma maior vantagem em relação a outros surfistas do nosso país? Quais são as tuas ondas preferidas em Peniche e onde é que gostas mais de surfar?
GF - Eu acho que sim porque se quero treinar tubos vou aos Super - e por acaso tenho treinado muito lá, têm estado ondas boas, principalmente no meu backside, tubos de backside, ando a treinar isso e já estou bem melhor - e se quiser treinar manobras ou linha vou para o Baleal que tem ondas fáceis, Lagido é também uma esquerda boa para treinar backside, Peniche tem tudo. Por exemplo, está sempre offshore num sítio, se estiver Norte, vou para os Super; se estiver Sul, Belgas, Baleal… Por isto é uma vantagem mas por outro lado, há uma desvantagem que é surfar sempre sozinho. É difícil mas é uma coisa que tenho de aprender. É difícil porque não tenho ninguém para me puxar, sabes? Ver alguém a surfar bem e depois eu tentar fazer a mesma coisa. Eu gosto de me comparar com outros para aprender e surfar melhor.
SP - Uma das tuas praias recebe o WT, como foi quando viste os melhores do Mundo, pela primeira vez, nos Super? E olhando para trás, que lições tiras de os ver em Peniche? Qual foi o momento mais memorável de quando tiveste o Tour em casa?
GF - Foi óptimo. Quando os vejo nas minhas praias, fico sempre muito emocionado e quero logo ir para dentro de água surfar para ao lado deles e ver o que eles fazem. Acho que a vinda do Tour para o nosso país veio dar muito valor às nossas ondas e veio pô-las no mesmo patamar que as outras ondas do circuito. É totalmente diferente ver os locais dos Super e as outras pessoas a surfar lá, comparado com eles. A forma com mandam os tubos nos Supertubos…é totalmente diferente. É óptimo.
SP - Quais são as tuas ondas preferidas?
GF - Para tubos é Supertubos, claro. Manobras, é Coxos. Também gosto do Algarve, Zavial e da Ericeira, é isso.
SP - Os Coxos e os Super são as melhores ondas do nosso país, quão importante achas que é surfar lá? Desde já, acho que um surfista quer sempre procurar a melhor onda, não é?
GF - São ondas onde me sinto bem a surfar, conheço as pessoas e dá para fazer todo o tipo de manobras. Os Super é óptimo para os tubos e os Coxos é quase como um recreio.
SP - Até onde gostavas de levar o surf?
GF - Gostava de ser bom surfista, de surfar bem. Que olhassem para mim e dissessem "Este tipo surfa bem". Claro que sonho em chegar ao Tour e correr campeonatos no Mundo mas para já não me preocupo com isso, para já penso em surfar melhor e para isso é preciso trabalhar, muito.
SP - Quem são os teus surfistas preferidos?
GF - O Julian Wilson e o Tiago "Saca" Pires, claro. O Julian porque é um surfista muito completo e com estilo, capaz de surfar com aéreos ou de linha, quando é preciso. Estas qualidades são coisas que eu acho serem importantes num surfistas. E o Saca, pelos motivos óbvios de ser o primeiro português no Tour e tudo o mais que ele representa.
SP - Quais as tuas manobras preferidas?
GF - Carves, tubos e reverses.
SP - Quais são os teus objectivos para 2012?
GF - Quero ser campeão nacional esperanças sub-16, apesar de saber que tenho adversários fortes como o Tomás Fernandes e o Tomás Ferreira. Quero também correr todo o circuito pró júnior europeu.- Diogo Alpendre
Para veres a fotogaleria (e olha que vale muito a pena!), carrega numa das imagens em baixo. Fotos: Ricardo Bravo
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