Iº Quiksilver Media Trophy junta jornalistas do meio em prova inédita

Miguel e Ruivo e Joaoa Valente no skate

Miguel Ruivo (Surf Total) e João Valente antes do início da performance em skate. Foto: Ricardo Bravo/Quiksilver

 

Por João Valente

 

Chegámos, Júlio e eu, ainda de manhã, à Boardriders Store, porque a brincar, a brincar, isto de competir é coisa séria, ainda que se pretenda não levar muito a sério. Estas situações, de competir "na brincadeira", lembram-me sempre uma publicidade que aparecia nas revistas brasileiras de surf, algures pelos anos 90, e que mostravam a cara de um atleta com uma expressão de raiva, esforço e sofrimento, diante da genial frase: "pergunte ao último se ele ri melhor". Pois, a brincar, a brincar...

 

A história era esta: a Quiksilver, talvez a marca endémica que melhor compreenda os altos e baixos a que todos estamos sujeitos na vida, resolveu que nestes tempos de incerteza, fosse uma boa ideia juntar os media de surf e skate portugueses para uma competição amigável, onde todos pudessem expor as suas aptidões nos desportos que tratam nas suas páginas impressas ou digitais. Cada um dos media convidados — Beachcam, Onfire, Surge, Surf Total e estes aqui — teria de propor dois representantes, participantes ativos na empresa, para competir numa prova de skate, no fantástico skatepark da Boardriders, e de surf, no pico do Matadouro, mesmo em frente à loja. Tudo completado por uma grande festa de fim de tarde, com concerto e churrascada ao por do sol. A iniciativa em si é admirável. Promover um encontro entre empresas teoricamente antagonistas mas que no fundo estão no mesmo barco, umas melhor outras pior, mas a remarem todas para o mesmo lado, com visões diferentes, complementares, divergentes, similares e que fazem parte do ameaçado ramos das publicações de nicho, só pode ser uma coisa boa. Ainda por cima quando a coisa é levada a cabo por uma das marcas que, por experiência própria, melhor compreende a necessidade da união do meio nesta era de dispersão de públicos e players.

 

Ninguém sabia quem iria representar quem, mas presumia-se que cada publicação tentasse encontrar os seus melhores representantes no equilíbrio entre históricos do staff e respetivas capacidades técnicas. A escolha da SURFPortugal recaiu sobre Júlio Adler, colunista mais antigo da revista e este que vos escreve. Ambos já há muito para lá do seu prazo de validade nas ondas e nas rampas — a começar por mim, que nunca o tive —, mas ainda com aquela ilusão de que amanhã iremos apanhar a melhor onda das nossas vidas. À exceção da informação por parte da Surf Total, de que o histórico Miguel Ruivo iria representá-los no surf por ser autor de uma coluna no site, não sabíamos quem iria por parte das empresas nossas rivais, mesmo assim, resolvemos chegar cedo, quanto mais não fosse para dar umas voltinhas na pista de skate, de modo a evitar lesões e figuras de urso.

 

Julior Adler old school skate Julior Adler a espalhar magia no bowl. Foto: Ricardo Bravo/Quiksilver

 

Ora, eu tive meu tempo de skater. Foi nos anos 70, em São Paulo, no auge dos skate parks, snakeruns e da influência da turma dos Z-Boys californianos. Aquelas lombas cor de cimento trazem-me um sabor familiar e excitante. Quão diferentes podem ser, passados quase quarenta anos? Bem... muito. Com equipamentos disponibilizados pela Quiksilver, lá fui de forma tímida para a pista tentar perceber se aquelas rampas, vistas de cima de skate eram tão convidativas quanto quando vistas de cima da varanda da loja. Não eram. Tive de me resignar a pequenas tentativas de saltos enquanto via um miúdo com menos de dez anos a passar por mim como se fosse o Cristiano Ronaldo a passar pela defesa da equipa de veteranos do exército da salvação. "Da próxima vez, estica-lhe a perna e mostra-lhe o que é voar", sussurrou-me o diabinho ao ouvido.

 

Finalmente, chegaram os nossos concorrentes. Vasco Silva e Luís Zagallo, pelo Beachcam, Miguel Ruivo e o fotógrafo Rui Jorge Oliveira, pela Surf Total, e os gémeos Bernard e Lawrence Aragão, pela skatista Surge. Sem explicação visível, a Onfire não apareceu.

 

A prova começou pelo skate. Eram runs à volta do skate park, sem obrigatoriedade de passar pelo bowl, mas com pontos extra para quem o fizesse, e vitória para quem terminasse em primeiro lugar. Skate é skate e os gémeos, do auge dos seus vinte e poucos anos, limparam a concorrência sem sobressaltos mas com muitos saltos. Fiquei com a ideia de que o fariam mesmo em switch. Minha run foi contra o Miguel Ruivo, que foi ao bowl e mesmo caindo, ganhou, pois fiquei preso sem conseguir subir a última rampa. Acho que ouvi o cabrãozinho do puto a rir-se. "Dá-lhe com o skate na cabeça!", sussurrou-me o diabinho outra vez.

 

3 lugar SurfPortugalSURFPortugal terminou no 3.º lugar. Foto: Ricardo Bravo/QuiksilverDepois foi a vez do surf. Era a hora da vingança, embora os gémeos, na flor da idade, e com o historial de serem sobrinhos do Miguel Aragão, um dos lendários surfistas de Carcavelos, não nos deixasse muito tranquilos, ainda mais com as ondas pequenas e sem força que partiam no Matadouro. Para forças extra, virei uma imperial antes a caminho do mar. Uma hora de heat, contavam as duas melhores ondas de cada heat. As esperanças da casa recaíam sobre Júlio, com toda a sua experiência de ex-competidor do WQS. Miguel Ruivo, sempre um magneto de ondas e conhecimento, apanhou todas as ondas boas que surgiram, e de pouco me valeu colocar-me ao lado dele. Via os gémeos a fazer ondas atrás de ondas, tal como o Luís do Beachcam. Júlio olhava para o horizonte à espera de Dom Sebastião e eu só pedia uma ondinha que me deixasse marcar mais de um ponto. A oportunidade surgiu a um terço do fim do heat. Uma direitinha que abriu e onde deu para fazer umas curvinhas antes de fanfarrar um floater falhado no inside. Vá lá... deve dar para um cinquinho, pensei. Valeu mais. Não sei quão bem analisei o trabalho de Michel Amaro no tempo em que era chefe de juízes do circuito nacional, mas devo ter feito qualquer coisa muito bem, pois recebi um 7 que me pôs em segundo lugar, atrás de Miguel Ruivo, e permitiu que o troféu ficasse com a malta do surf, pois o pessoal da Surge, vencedor no skate, caiu para terceiro lugar no surf, ficando em segundo na geral, com a SURFPortugal em 3.º e o Beachcam em quarto. Procurei o puto pelo skatepark para mostrar-lhe o meu olhar de vingança, mas não o encontrei.

 

Em seguida, ao poderoso som do rock n'roll dos Lions Like Zebra, as cervejas rolaram soltas e o churrasco alimentou os nossos necessitados corpos, hoje em dia mais acostumados ao sabor do malte fermentado do que ao da água salgada, ou quase...

 

Grande iniciativa da Quiksilver, pela mão do seu diretor geral em Portugal, José Gregório, que mostrou sua grande generosidade — e fair-play, depois de tudo o que escrevi sobre ele ao longo da sua vitoriosa carreira — na descrição que fez em modo de press-release, sobre a minha performance. Uma experiência a repetir, com um pouco mais de treino.— JV

 

Surftotal a equipe vencedora  copyA equipa da Surf Total foi a vencedora final. Foto: Ricardo Bravo/Quiksilver

 



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