Atrás das lentes com... Peter "Joli" Wilson

destaque_fotos-copiaO que é estar no canal com ondas destas a quebrar a metros de ti? Fica a saber aqui. Foto: Joli

 

 A imagem diz tudo: todos os meses vamos trazer até ti a história de uma fotografia publicada na SURFPortugal, contada na primeira pessoa pelo fotógrafo que a tirou. Depois de termos falado com o André Carvalho na primeira edição (ver link), partimos para solo internacional para a segunda edição desta nova rubrica.

 

Poucas pessoas no Mundo acompanharam a evolução do surf mundial em competição como o australiano Peter "Joli" Wilson. Desde Martin Potter a Gabriel Medina, Kelly Slater e Peter Townend, Stephanie Gilmore e Pam Burridge, este australiano fotografa os maiores nomes do surf mundial há mais de trinta anos. Na verdade, a sua primeira fotografia publicada foi em 1972, ano em que o conceito de circuito mundial não era sequer uma alucinação nas trips dos surfistas australianos da altura... Desde então, já teve e continua a ter fotografias publicadas em todas as grandes, médias e pequenas revistas de surf do Mundo, passou por algumas das maiores marcas de surf enquanto fotógrafo promocional e foi mesmo chefe de fotografia na Universidade de Deacon, na Austrália. Tudo razões suficientes para lhe passarmos a palavra...e a fotografia que escolheu, não podia ser mais impressionante, fazendo mesmo parte de uma sequência que foi capa da SP. Comecemos pela história desta onda monstra que o americano Nathan Fletcher apanhou... :

 

"Se conseguires, imagina seres um fotógrafo de surf sentado na marina de Teahupoo, pronto para começar a fotografar o maior swell a atingir aquele spot nos últimos doze anos e não te deixarem sair para o lineup.

 

Às sete da manhã certas, os reports que vinham do lineup eram incertos e confusos. Sets de ondas com mais de vinte pés e mesmo algumas ondas maiores, a roçar o limite do insurfável por causa da maré vazia. Equipas de tow-in que tinham viajado de todo Mundo estavam sentadas no lineup a ver as ondas a bater no recife e a cronometrar os sets. Entretanto, as equipas de fotógrafos e filmagens estavam paradas em terra a discutir com os oficiais do Governo que tinham declarado o Alerta Vermelho e consequentemente, tinham "fechado" o canal que leva a Teahupo'o.


Por volta das 7h30m, o condutor do barco que eu (e mais três fotógrafos) tinha reservado para o dia, tinha decido desafiar as regras. Todo o nosso equipamento já estava no barco mas os oficiais não nos estavam a deixar sair. O nosso condutor, a dada altura, sugeriu que fôssemos até casa dele para ir beber um café. Juntámo-nos todos no barco e seguimos...na direcção oposta de Teahupoo. Assim que saímos da doca, perguntei-lhe "Quão bom é o teu café?" ao que ele, com um enorme sorriso, respondeu, "Oh, é muito bom". Quando já estávamos a alguma distância da marina, ele abrandou o barco, virou-se para nós e disse, "Se pagarem as multas, estou preparado para ir até Teahupoo". Um pacto foi feito e selado com um aperto de mão em grupo e minutos depois estávamos no lineup com as equipas de tow-in.

 

Assim que a sessão começou, durou o dia todo com o swell a atingir o seu pico durante a hora de almoço. Só teve uma pausa, por um curto período de tempo, quando a lenda local e surfista de ondas grandes Raimana (van Bastolaer) sofreu um wipeout enorme e foi arrastado até à lagoa, perdendo uma enorme quantidade de pele nas pernas e costas pelo caminho.

 

As previsões estiveram certíssimas e o swell começou a subir ao longo do dia, culminando nas duas horas entre as 11h da manhã e as 13h. Foi durante este período de tempo que o Nathan Fletcher apanhou a onda aqui fotografada, possivelmente a onda mais desafiante e perigosa alguma vez apanhada em Teahupo'o. Era uma monstra com um lip tão grosso como a altura da onda em si. 


A sessão de tow-in durou até ao sol se pôr e o Alerta Vermelho esteve activo durante todo o dia. Fiquei muito contente por haver condutores dispostos arriscar a sua vida para levar um grupo de fotógrafos para o lineup para poderem fotografar o melhor dia de ondas nos últimos doze anos.

 

É um pouco como aquilo que se diz sobre árvore que cai no meio de uma floresta densa e ninguém a ouve cair. Imaginem que todas estas ondas tinham sido surfadas...mas ninguém estava lá para as "guardar" para a posteridade."

Vê a fotografia desta história, carregando na imagem em baixo. Foto: Peter "Joli" Wilson.


 



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